21 de janeiro de 2016

Uma casa desaba e nove ficam interditadas no bairro Morro Azul


A cobertura de uma casa desabou e outro imóvel cedeu parcialmente no Morro Azul, em São Sebastião, no Distrito Federal, na noite desta quarta-feira (20). Segundo o Corpo de Bombeiros, mais duas residências estão comprometidas devido a rachaduras. No total, nove construções foram interditadas.

A corporação informou que não havia pessoas no local no momento do desabamento. O imóvel fica na quadra 11, conjunto C. Os bombeiros receberam o chamado por volta das 19h30. A corporação não informou o motivo do desabamento, mas citou a chuva como uma das hipóteses.

Segundo o Coordenador de Operações da Defesa Civil do DF, major Sinfrônio Lopes, cerca de 40 pessoas tiveram de deixar as casas. Todos foram para residências de parentes. Ele diz que o órgão vai avaliar a situação nas próximas horas para ver se libera o retorno das famílias de alguns dos imóveis, mas será preciso reforço nas paredes das residências.

“Uma área grande da cobertura de uma casa caiu. Outras oito estão com rachaduras. Em uma escala de 1 a 5, eu digo que as rachaduras estariam em grau 2. Como algumas casas têm baixa qualidade construtiva [feitas com material de qualidade inferior], isso agrava a situação.”

Lopes diz que o terreno onde estão as casas tem elementos orgânicos em sua composição. Há ainda um lote com cerca de 3 mil m², ao lado da área, que pode ter sido aterrado de forma inadequada e que é “um grande captador de água, que vai para o subsolo e que possivelmente passa por baixo dos lotes”, tornando o espaço menos resistente ao peso de construções.

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13 de janeiro de 2016

Sob protestos, GDF retoma derrubada no Capão Comprido.



O governo do Distrito Federal retomou, nesta quarta-feira (13), operação para a derrubada de 68 casas construídas em uma área pública invadida no Capão Comprido, em São Sebastião. As máquinas chegaram ao local por volta das 10h, mas o trabalho ainda não tinha começado de fato uma hora depois.

Pouco antes das 11h, policiais militares avançaram em direção aos moradores, que ocupavam área próxima à via principal e tentavam impedir o avanço das máquinas. Com spray de pimenta, a PM dispersou o grupo de manifestantes e liberou o acesso às casas alvo da operação.

A Polícia Militar afirma que enviou 145 militares ao local para "dar apoio aos fiscais da Agefis", responsáveis pela desocupação. Ao G1, a PM informou que o uso do gás "foi necessário para dispersar a multidão, porque a negociação não surtiu efeito".

Moradores ocuparam a rua principal de acesso desde as primeiras horas da manhã, com faixas e placas de protesto contra a decisão do GDF. Pneus e sofás velhos foram amontoados na lateral da rua de terra, mas o policiamento na área não identificava nenhuma tentativa de atear fogo no material até as 11h.

Na terça (12), as equipes passaram boa parte do dia no local, mas conseguiram remover apenas três residências, parcialmente. Minutos depois do encerramento da operação, moradores já tinham iniciado obras de reconstrução das paredes destruídas (veja vídeo).

A Agefis diz que São Sebastião é a região mais preocupante para o governo, por conta do avanço das invasões nos últimos anos. Não há prazo para o término da operação no local.

Moradores em protesto
Por volta das 10h30, moradores da região fizeram um cordão de isolamento na via principal, na tentativa de evitar o avanço das máquinas. Até as 10h50, o trabalho de remoção das estruturas ainda não tinha começado de fato.

egurando um cartaz de reclamação ao governo Rollemberg, a manicure Rose Silva, de 36 anos, conta que há dois meses comprou um lote em São Sebastião por R$ 27 mil. Ela diz que não sabia que a região era ilegal. A placa pedia que o GDF priorizasse ações na educação e na saúde.

"Minha casa ainda não foi derrubada. Espero que não façam nada. Tenho um marido e uma filha de dois meses para criar. O governo tem que parar de se preocupar em tirar a moradia do povo pobre e pensar em saúde e educação", disse.

'Pegos de surpresa'
A dona de casa Cíntia Ferreira de Santana, de 28 anos, se disse "indignada" com a operação e contestou a Agefis e o GDF. Segundo ela, não houve aviso sobre a ação. "A ação foi arbitrária. Ficamos surpresos. Moro aqui há dois anos e meio, gastamos nosso dinheiro nessa construção, entende? Por que o governador não vem pessoalmente conhecer nossa situação? Se for derrubar por ser ilegal, que derrube todo São Sebastião", diz.

A moradora também diz que não tem para onde ir com o marido e o filho pequeno. "Vou ter que me infiltrar na casa de alguém porque o governo simplesmente derrubou a minha casa? Isso é uma injustiça."
Derrubadas sob análise

Em dezembro de 2015, o Ministério Público se posicionou contra a regularização de ocupações ilegais no DF. Na época, a Câmara Legislativa rejeitou um projeto de decreto legislativo que tentava suspender as derrubadas promovidas pelo Executivo.

Segundo a Agefis, desde o ano passado as operações de derrubada recuperaram mais de 1 milhão de metros quadrados de área pública. O órgão afirma que a região de São Sebastião tem grande potencial de crescimento e cresce a uma taxa de quase 100% ao ano.





















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11 de janeiro de 2016

Moradores comandam projeto de horta comunitária e preservação de nascentes em São Sebastião


Hortaliças, banana, ingá, manga, araticum. Esses são alguns dos produtos encontrados na Horta Comunitária Girassol, na Quadra 12 do Morro Azul, em São Sebastião. O espaço, inaugurado em 2005, costumava abrigar um dos lixões da cidade. Hoje, o projeto que começou com dois canteiros já ocupa uma área de cinco mil metros quadrados e também ajuda na preservação de três nascentes próximas às plantações.
À frente dos trabalhos está Hosana Alves (na foto acima), de 44 anos. A dona de casa mora há mais de duas décadas na cidade e afirma que a principal motivação para o início do projeto foi acabar com o lixão que ficava ao lado de sua residência. “Eu adoro mexer com plantas, adoro o cerrado. Percebi aqui um grande potencial e a vantagem de se transformar algo ruim em um benefício para a sociedade. Se a gente não cuida, quem vai cuidar?”, diz.
Rafaela Felicciano/Metrópoles
O projeto é aberto à comunidade e doa alimentos a creches da região. Há pouco mais de dois anos, começou um trabalho para preservar três nascentes que abastecem a cidade. Hosana relembra que São Sebastião abrigava 16 mananciais, na época em que ela se mudou para lá – hoje restam apenas três. O sustento, conta, vem de doações da Administração Regional e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo do Distrito Federal (Emater-DF).
Entre os objetivos está a mudança na forma como a cidade é vista. “Queremos que São Sebastião seja conhecida como a cidade das águas. A região é muito rica em nascentes, queremos resgatar esse histórico e trazer ao conhecimento da população”, afirma.
Outro plano é transformar a área onde ficam os mananciais em um parque com trilhas e vegetação, a exemplo do que foi feito no Parque Olhos D’Água, na Asa Norte. No entanto, para 2016, a prioridade é a construção de um galpão na própria horta – local que servirá de abrigo para os cursos que o projeto oferece. Atualmente, os treinamentos são realizados em uma tenda improvisada entre as folhas.
Rafaela Felicciano/Metrópoles
José Luiz Mesquita trabalha todos os dias na horta
Comunidade
Sandra Brito, de 45 anos, é formada em ciências biológicas e passa na horta a cada 15 dias para adquirir os produtos orgânicos cultivados. As frutas e hortaliças são vendidas a preços variáveis, dependendo da quantia que o comprador tem disponível para pagar. “É muito importante termos isso aqui em São Sebastião. Acho que todas as comunidades deveriam oferecer algo parecido”, defende.

O espaço beneficia uma média de 10 famílias e serve como terapia para alguns moradores. “É onde eu mantenho a minha saúde, a minha lucidez”, revela José Luiz Mesquita, de 88 anos. O aposentado trabalha todos os dias no cultivo das plantas e ajuda a manter o projeto desde que ele foi inaugurado.

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5 de janeiro de 2016

Conselho tutelar de São Sebastião será reinaugurado nesta sexta-feira


A nova sede do Conselho Tutelar de São Sebastião será entregue aos moradores na sexta-feira (8/1), às 10h. O espaço foi todo reformado pela Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude para melhorar as condições das instalações onde crianças e famílias são atendidas.
O local teve toda a parte hidráulica e elétrica refeita, além da troca de piso, janelas, portas e fachada. Segundo a subsecretária de Políticas de Proteção à Criança e ao Adolescente, Veruska Alves, o centro passa a contar com cinco salas individuais para cada conselheiro, sala de reunião e brinquedoteca, além de novo mobiliário e equipamento de cozinha. “Tudo foi feito com recursos da Secretaria da Criança e apoio de verba oriunda de emendas da Secretaria de Direitos Humanos para a aquisição de um veículo”, relata. A reforma custou cerca de R$ 250 mil.
Segundo o secretário da Criança, Aurélio Araújo, a reestruturação física dos conselhos tutelares é uma das metas da pasta para 2016. “Entregamos, em dezembro, a nova sede de Taguatinga Sul, agora São Sebastião e estamos terminando as obras em Brazlândia”, enumerou. “Ao longo do ano vamos reformar outros que estão necessitando de reparos, como em Samambaia Sul e Riacho Fundo.”
Com o objetivo de zelar pela garantia e defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, os conselhos tutelares são órgãos autônomos e permanentes. Uma das funções é garantir o direito a uma família protetora, a uma boa escola, a espaços de esporte, lazer e cultura, boa alimentação, saúde de qualidade, e convivência familiar e comunitária.

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30 de dezembro de 2015

São Sebastião receberá água do Lago Paranoá


A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) obteve do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) a licença de instalação do sistema produtor de água do Paranoá, alternativa que começou a ser estudada em 2005. As obras de implantação desses estão em fase final de licitação e com a licença podem ser iniciadas.

O novo sistema do Paranoá deverá abastecer 600 mil pessoas em Sobradinho I e II, Planaltina, Itapoã, São Sebastião, Lago Norte e condomínios da região norte do DF.

O sistema prevê a construção de uma estação de captação próxima à Barragem do Paranoá, uma estação de tratamento de água no Parque Bernardo Sayão e 44,5 quilômetros de tubulações para transportar de água.
Nove reservatórios serão construídos ou ampliados nas cidades de Itapuã, Paranoá, Colorado, Sobradinho, Lago Sul, Jardim Botânico, São Sebastião, Mangueiral e Tororó.
O presidente da Caesb, Maurício Luduvice, informou que o limite estabelecido para captação foi aprovado pela Agência Nacional das Águas (ANA) e pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa).


Fonte: EBC

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28 de dezembro de 2015

Quilombo Mesquita se prepara para a 14ª edição da Festa do Marmelo

Produtores ensinam como a marmelada é feita: receita antiga, vinda do conhecimento de antigos quilombolas do local.

A comunidade do Quilombo Mesquita, erguida pela força da história dos negros, se prepara para a 14ª edição da Festa do Marmelo. Organizadas desde sempre com o esforço dos produtores rurais da região, com a ajuda de amigos, empresários e admiradores da tradição do povoado, a cavalgada e a festividade nasceram com um único propósito: erguer o Santuário Nossa Senhora D’Abadia. Quase uma década e meia depois, a igreja está pronta. Um reparo ali, outro lá, e pronto. Mas um detalhe incomoda: ainda não há bancos no santuário. As cadeiras usadas são de plástico, emprestadas e mal acomodam o público para as orações. Fruto da união de simples cidadãos, a atividade ocorrerá no segundo fim de semana de janeiro e eles ainda não fecharam a lista do que precisam. Assim, ajuda e doações são bem-vindas.

O povoado Mesquita fica na zona rural da Cidade Ocidental (GO), distante 70km do Plano Piloto. A comunidade, remanescente de quilombos, mantém as tradições dos ascendentes negros há mais de 200 anos e suportam uma carga de mobilização e solidariedade tradicional. A festa mesmo ocorreu pelas mãos de muitas pessoas, com o objetivo de construir algo que pertencesse ao povo. O produtor rural João Antônio Pereira, 67 anos, participou desde o início. “Tudo começou porque estávamos com dificuldade para construir uma igreja grande. Havia uma antiga, mas não suportava a quantidade de fiéis. Minha irmã teve ideia de fazer a festa para arrecadar o dinheiro. Foi tudo construído em esquema de mutirão. Ganhando tijolo, ferro, areia, nós fomos levantando. Agora, temos mais essa etapa”, explica o produtor, responsável pela atividade este ano.

“Precisamos dos bancos. Entre 80 e 100 bancos, mas cada um custa cerca de R$ 1 mil. Podem doar os bancos ou o dinheiro. E dá para vir conferir, porque aqui é tudo na honestidade”, garante. Vale também fornecer comida, carne, frango e produtos para o leilão. Aliás, é da última ação que sai boa parte dos recursos arrecadados com a festa, principalmente com o leilão de gado, realizado no segundo dia de comemorações. Este ano será em 10 de janeiro, um domingo. O evento em si começa um dia antes, com a cavalgada do povoado até a Cidade Ocidental e, por volta das 17h, com o retorno dos cavaleiros.

Missa, almoço e leilão
Há quem aposte que o domingo é o dia mais esperado. Tem a Santa Missa logo pela manhã, às 10h, com almoço em seguida. O leilão segue o dia todo, mas é o doce de marmelo o personagem principal. A guloseima é feita ao vivo, na frente dos convidados, e servida ali mesmo, em travessas, e de graça. Em 2014, cerca de 3 mil pessoas foram ao evento nos dois dias de festa. E quem vai sempre volta, segundo João Pereira. “Essa produção é uma tradição de mais de 200 anos. Quem vê a primeira vez fica louco. Vem de novo e na próxima vez traz alguém. Não quer perder mais. Isso é motivo de orgulho. É a nossa maior gratificação”, declara o festeiro.

A fruta ainda não está madura, mas a visão das plantações de marmelo é esplendorosa. Os pés estão cheios nessa época e colorem o verde das árvores. Os marmelos lembram peras. O período da colheita será bem na semana da festa. Os cuidados, porém, começam em julho, com o preparo da terra e a poda das árvores. Em uma das chácaras mais tradicionais, do produtor Sinval Pereira Braga, 60 anos, a plantação passa dos 100 pés da fruta. A forma de vida veio dos bisavós, tradição familiar comum no povoado. “Todo fim de semana, eu cuido da plantação, faço umas podas, passo remédio — com cuidado para não estragar o fruto —, e em janeiro, pertinho do dia 10, a colheita pode ser feita”, explica. Sinval dedicou mais da metade da vida à plantação de marmelo e tem apenas um desejo. “Se essa tradição acabar um dia, vai ser triste. Não tanto pra mim, que já estarei morto, mas eu gostaria de ver continuar”, desabafa.

João Antônio é o responsável pela festa este ano: só faltam os bancos para a igreja da comunidade ficar completa

História
A Festa do Marmelo e toda a tradição da comunidade do Quilombo Mesquita têm o apoio do movimento internacional Slow Food, um trabalho feito voluntariamente por pessoas do mundo todo em busca da defesa do pequeno produtor e da agricultura familiar por meio dos alimentos tradicionais, típicos, que correm o risco de desaparecer com o tempo. Sem contar o desperdício: de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil é considerado um dos 10 países que mais jogam comida fora em todo o mundo, com cerca de 30% da produção praticamente dispensados na fase da pós-colheita.

"Tanto in natura quanto aquele minimamente processado. A festa no Quilombo produz um doce de uma receita de mais de 150 anos, que pode não existir mais por vários motivos, entre eles, a grilagem de terra e a especulação imobiliária. O objetivo é manter essa tradição”, analisa o funcionário público Jean Marconi Carvalho, representante do Slow Food. Segundo Jean, falar em extinção não se resume só aos animais que deixam de existir. Muitos alimentos, vegetais, comportamentos culturais, métodos de produção e histórias precisam ser cuidados.

"No caso do marmelo, há toda uma técnica própria, específica, que poucos produtores ainda fazem. Ainda existe a questão do êxodo rural, que preocupa ainda mais. É importante manter as pessoas na terra, onde é o lugar delas, com condições dignas de trabalho, com garantias e direitos, pois, hoje, toda a estrutura é por conta deles. Não há ajuda alguma por parte de governo”, pondera.

Não perca!
Festa do Marmelo do Quilombo Mesquita

9 de janeiro
9h — Cavalgada da comunidade
até a Cidade Ocidental

10 de janeiro
10h — Santa Missa
12h — Almoço (Ingressos: R$ 10)

O leilão segue até as 17h, com shows e fabricação de marmelo

Ajuda e doações
João Antônio: 3500-4981

Doce português
A marmelada é uma espécie de purê de marmelo cozido com açúcar em partes iguais para se manter em conserva. Ela tem origem na doçaria regional portuguesa, sendo a mais famosa a de Odivelas — próximo a Lisboa —, fabricada em um antigo mosteiro. De cor vermelha, no Brasil, a marmelada é produzida apenas na Cidade Ocidental, em Luziânia e em pequenos municípios do centro-sul. Passa por um processo artesanal de cozimento em tachos de cobre tradicionais, esquentados em fogões a lenha. Depois de pronto, o produto é embalado em caixas de madeira típica, feitas pelos próprios produtores. A marmelada se preserva melhor em contato com a madeira. Uma fina camada cristalizada se forma na parte superior.

O marmelo ainda não está maduro e a colheita só será feita uma semana antes do festival

Memória e tradição
O povoado Mesquita, na Cidade Ocidental, concentra algumas das mais fortes lembranças do regime escravocrata nas terras hoje ocupadas pelo DF e as cidades do Entorno. Lá, parte das cerca de 300 famílias negras vivem como os ancestrais há 200 anos, sem luxo, conforto, assistência médica, comendo apenas o que tiram da terra. Reconhecido pelo governo federal como área remanescente de quilombo, o lugarejo cultiva goiaba, laranja, cana-de-açúcar e mandioca, entre outras. Mas nenhuma é tão marcante como o marmelo, fruto usado na produção da marmelada, doce quase em extinção. Apenas quatro fazendas goianas, todas localizadas nas vizinhas Luziânia e Cidade Ocidental, ainda produzem o produto em larga escala. Todas dependem da mão de obra e do conhecimento de descendentes de escravos para manter viva a tradição.

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17 de dezembro de 2015

Na onda do Natal do Vila do Boa

 
Olhos vidrados no portão verde. Por alguns segundos, houve silêncio. Quando a primeira fresta da porta se abriu, as crianças prenderam a respiração e no momento que o tão esperado visitante chegou não faltou comemoração. Era o Papai Noel. Meninos e meninas da comunidade Vila do Boa, em São Sebastião, estavam reunidos na Escola Classe aguardando ansiosamente a promessa de uma visita especial. Minutos antes, os mais velhos disseram ser o Bom Velhinho uma lenda. Mas, no momento da emoção, todos se juntaram ao redor do barbudo para tirar uma foto, dar um abraço e dizer que “sim, fui um bom menino e um bom aluno”.

Ele foi ovacionado e praticamente carregado no colo pela criançada. Apesar da timidez, André Luis de Sousa Alencar, 6 anos, não conseguiu esconder a alegria ao receber das mãos do Papai Noel o presente de Natal. “Esperei o dia todo por ele”, conta o menino. Em um embrulho vermelho, estavam dois caminhões que logo foram inaugurados na brincadeira com os amigos. A fila para se sentar no colo do bom velhinho era enorme. Crianças de todas as idades queriam desfrutar do momento. Até os pais que acompanhavam os filhos menores não perderam a chance e mostraram que Natal não tem idade. A essência da data vai além do imaginário infantil.
 
 
A visita do Papai Noel finalizou o Natal da Vila do Boa, promovido no último domingo pela ONG Onda do Bem. Durante um dia inteiro, cerca de 700 crianças e 300 adultos participaram de diferentes atividades desde educativas, como higienização bucal, até recreativas, com direito à cama elástica, pintura de rosto e show com músicos da cidade. Também tiveram atendimento psicológico, corte de cabelo e maquiagem. “Tudo começou com um grupo de amigos que fazia pequenas ações sociais. A onda foi aumentando e cativando mais gente. Ano passado, fizemos a festa do Dia das Crianças na creche e agora resolvemos fazer a festa de Natal”, explica uma das organizadoras Ana Luíza Gomes, 29 anos.

A Vila do Boa é uma invasão que fica próximo aSão Sebastião. A comunidade foi escolhida por este grupo de surfistas do bem que quer fazer a diferença e, mais do que isso, encontrar pequenos futuros atletas. “A população aqui é muito esquecida. Temos problemas de saúde e de lazer, por exemplo. Atividades assim são muito importantes. As crianças não têm isso em casa”, comenta Alessandra de Oliveira Alves, 26 anos, coordenadora de Relações Públicas da Creche Santa Rita. A instituição atende 40 crianças em período integral e, além da ajuda de voluntários, conta com o apoio dos vicentinos.
 
 
Sonhos
Correndo de um lado para o outro, um grupo de amigas aproveita o dia pensado especialmente para a criançada. Quem liga se a calça está suja de SE sentar no chão? Na hora da foto, a pose é de modelo profissional. “É bem assim que faz, olha tia”, mostra Bruna Almeida da Silva, 10 anos. Pouco depois de terem chegado ao evento, as meninas haviam brincado no pula-pula, pintado o rosto, comido cachorro-quente e queriam mais. Papai Noel era o nome mais comentado. “Quero um tablet para tirar uma selfie e postar no meu Facebook”, dizia Aysha Silva Lima, 10 anos.

Entre um gole e outro de refrigerante no bico da garrafa, vale sonhar, e a comunidade da Vila do Boa é cheia de anseios. Bruna e a amiga Samara Maria da Costa Oliveira, 7 anos, querem ser professoras. “Para brigar com os meninos bagunceiros”, justificam. A mais nova, Ana Cecília Rodrigues da Silva, 5, prefere a profissão de aluna e Aysha planeja ser médica. Do outro lado da escola, Mateus da Silva, 8, e Ricardo Lopes da Silva, 8, se inspiram nos ídolos Messi e Neymar, respectivamente, para permanecer invictos na mesa de totó.
 
 
O encanto do Natal também tirou de casa Deusdália Andrade, 64 anos. A dona de casa mora na comunidade desde 1994. “Quando cheguei aqui não tinha energia, asfalto, não tinha quase nada”, relembra. Ela veio para Brasília com os filhos buscar uma nova vida, porque a família não aceitava o fato de ser mãe solteira. Há sete anos, ao fazer um procedimento no hospital, pegou uma bactéria e teve que amputar uma das pernas. Desde então, sair de casa é um desafio e a situação piorou em novembro, quando caiu da cadeira já desgastada.
 
 
A OnG Onda do Bem comprou uma nova cadeira de rodas para Deusdália e ainda uma especial para o banho. Ao receber o presente, a dona de casa não conteve o choro. “Nunca saio de casa. Agora é lutar para vencer”, define. Além dela, cinco pessoas receberam um equipamento novo. Os presentes nem o dia de brincadeira no pula-pula vão transformar a realidade ou resolver os problemas da Vila do Boa. No entanto, o que depender da ação dos surfistas desta onda brasiliense, a visita do Papai Noel foi apenas o primeiro passo de uma nova história de solidariedade e carinho.

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4 de dezembro de 2015

CEM 01 de São Sebastião ganha prêmio de Educadores do Brasil "Heroínas sem Estátua”


O Prêmio Professores do Brasil é uma iniciativa do Ministério da Educação que, por meio da Secretaria de Educação Básica juntamente com as organizações parceiras, está na 9ª edição.

A meta é reconhecer, divulgar e premiar o trabalho de professores de escolas públicas que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula.

Todos os professores de escolas públicas da educação básica podem se inscrever enviando um relato do trabalho desenvolvido com uma turma de alunos.

Sabemos que registrar uma experiência, um processo vivido ou mesmo uma conversa entre alunos e professores é uma forma de sistematizar o conhecimento do professor. Assim, além de participar do processo de premiação, os professores desenvolvem um exercício de reflexão sobre a própria prática o que garante o aprimoramento dos processos de ensino e aprendizagem.

Ou seja, independentemente do processo de seleção, a participação dos professores é um caminho para a busca da qualidade na educação, compromisso de todos os educadores!

Em 2015, temos seis categorias:
Creche
Educação Infantil
Pré-escola 
Educação Infantil
Ciclo de alfabetização: 1º, 2º e 3º anos
Anos iniciais do Ensino Fundamental
4º e 5º anos Anos Iniciais do Ensino Fundamental
6º ao 9º ano
Anos Finais do Ensino Fundamental
Ensino Médio

As inscrições realizadas nas categorias “Ciclo de alfabetização, 4º e 5º anos, 6º a 9º anos e Ensino Médio” devem ser enquadradas em uma das quatro seguintes áreas: ciências da natureza, linguagens, matemática e ciências humanas.

E na categoria Ensino Médio a escola Professora Maria Pilar Acosta de lingua portuguesa, abaixo a reportagem feita pela EBC, explica tudo sobre o projeto, acompanhe:

“… Por minhas irmãs, mulheres Guerreiras, companheiras, verdadeiras Levanto o meu braço Grito cheia de cansaço que a luta temos que seguir”.



Vitória de Jesus Santana tem 16 anos e foi estimulada, em seu colégio de ensino médio na cidade de São Sebastião, no Distrito Federal, a buscar histórias de mulheres que mereceriam, por sua ótica, ser homenageadas. Sua eleita foi a cantora Yzalu, rapper, negra e moradora da periferia de São Paulo que superou as adversidades da vida para se firmar na música. “Ela é uma negra, periférica, feminista e rapper que canta para levar o feminismo para outras mulheres”, conta a estudante e poetisa Vitória, sobre sua identificação com a artista.


Mulheres em todas as suas diversidades foram as fontes de pesquisa e inspiração para o projeto “Heroínas sem Estátua – Conhecimento a partir das mulheres”, idealizado no Centro de Ensino Médio 01 (Centrão) pela professora de Língua Portuguesa Maria del Pilar Tobar Acosta, que também é doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB). A proposta da atividade, que envolveu cerca de 350 estudantes de 1º e 2º anos do ensino médio, é contar e valorizar a vida e obra de mulheres que não tenham sido, na avaliação dos alunos, reconhecidas por seus feitos. “O trabalho ao mesmo tempo é um projeto de intervenção, porque eu percebi dentro do ambiente escolar a discriminação de mulheres, tanto professoras como alunas; e é muito louco pensar que a gente sofre tanto em um ambiente em que nós somos a maioria”, justifica Pilar.

Ativistas, escritoras, esportistas, cientistas e até mesmo familiares dos alunos figuram entre as homenageadas no Heroínas sem Estátua: “Os meninos e as meninas puderam escolher, por exemplo, falar das suas mães ou suas avós, que também são heroínas. A maioria dos nossos alunos tem em casa uma chefe de família, que é uma heroína”, conta a professora.

Resgate O projeto traz à tona a trajetória de mulheres que tiveram suas trajetórias deixadas de lado no curso da história; e neste processo, os alunos atuam como produtores de conhecimento que, além da pesquisa, precisam criar e inovar também na apresentação dos resultados. “Eles puderam escolher que tipo de material utilizar, que tipo de trabalho eles iriam apresentar”, conta a professora Pilar, explicando que a apresentação deveria ser feita de forma multimodal. “Um dos temas centrais do nosso currículo é o multiletramento: ler em várias modalidades e produzir em várias modalidades”, diz.

Lucas dos Santos Lopes, de 15 anos, fez um vídeo sobre sua avó, Maria Lucinda Santos do Nascimento, de quem ele tem orgulho pela história de superação, por ter vencido a pobreza e criado dois filhos sozinha. “Eu quis falar sobre uma pessoa com quem eu já me identificava bastante, que eu já conhecia”, conta o aluno. A identificação também foi fator determinante para a escolha de Ana Lyssa dos Santos Valim, de 15 anos. Ela homenageou a avó, Maria Rosária dos Santos Valim, que lutou contra preconceitos de raça e religioso. “Eu vi que não é uma luta só minha; minha avó lutou contra isso também, uma carga religiosa que as pessoas têm um preconceito muito forte. Eu achei muito especial falar sobre ela e queria que as pessoas soubessem”, relata Ana Lyssa.

O pioneirismo de Anita Malfati chamou a atenção de Liara Monique Brito, 16 anos, aluna do 2º ano. Ela fez um painel luminoso com uma ilustração da pintora, desenhada por ela mesma. “Eu gosto muito de arte, de pintar, desenhar, e por tudo que ela representou no Modernismo Brasileiro, foi a mulher que mais me interessou”, conta.
Liara mostra seu painel luminoso, feito em homenagem à artista modernista Anita Malfati. Foto: Gustavo Gomes/Portal EBC
A estudante Vanessa Lisboa da Silva se destacou ao fazer uma tela e várias ilustrações da professora e filósofa Angela Davis. “Eu queria mostrar pras pessoas todo o trabalho que ela teve pra lutar contra o racismo, pra lutar pelo direito das mulheres, e a história dela mexeu muito comigo”, conta. A história de vida da nadadora Annette Kellerman foi o que chamou a atenção da aluna Patrícia Rodrigues Moura, de 15 anos. “Ela foi uma nadadora bem conceituada mas não teve o reconhecimento que merecia; ela foi a pessoa que trouxe as roupas que hoje em dia os nadadores usam”, relata.

Além da Língua Portuguesa
A liberdade para pesquisar e criar é um estímulo para que os adolescentes busquem histórias que ultrapassam a Língua Portuguesa – disciplina que originou o projeto. A professora Pilar Acosta defende que este é um caminho para formar cidadãos mais críticos: “a Língua Portuguesa é nossa principal ferramenta de trabalho, é nossa principal ferramenta social pra construção da nossa sociedade. (…) A gente precisa questionar a fundo problemáticas sociais nossas; e como a linguagem faz com que os problemas fiquem piores ou possam ser solucionados”, argumenta.

O método de ensino que levou à realização do projeto Heroínas sem Estátua chama a atenção dos alunos, uma vez que eles são colocados como protagonistas de suas obras. Para eles, o resultado dos trabalhos é gratificante. “No início achei bem complicado ter que escolher sobre quem fazer, mas no fim você acaba conhecendo coisas que você não imaginaria”, conta Patrícia Rodrigues. “É uma forma de fazer trabalhos que a gente não está acostumado, mas nos ajuda a ser mais críticos”, celebra Liara Monique.
Assista ao vídeo em que a professora fala sobre o papel da Língua Portuguesa na sociedade:



Iniciação científica
O fomento de produção intelectual dos alunos é uma proto-iniciação científica, como define a professora responsável pela iniciativa. Segundo ela, os métodos de pesquisa comumente usados em ambiente acadêmico, na universidade, foram adaptados de acordo com o nível de maturidade dos alunos de 1º e 2º anos. O formato de trabalho causa estranhamento de alguns alunos; mas é a partir dele que, segundo Pilar, é possível iniciar a produção. “O espantamento é a essência da ciência: você só faz ciência se você se questiona sobre algo; e você só se questiona se estiver intrigado, espantado, curioso. A partir desse questionamento surge o pensamento mais sofisticado, mais desenvolvido; surge a reflexão sobre o seu meio”, defende.fórmula


Nem todos os alunos se adaptam facilmente ao método e, por isso, a produção ultrapassa, também, as paredes da sala de aula. “A gente vai sentindo o clima em cada sala, ou às vezes um aluno que não fala nada em sala de aula vem conversar com a gente no recreio. O professor tem que estar aberto a esse tipo de diálogo, porque o recreio também é um espaço de aprendizado, um lugar para trocar ideias, e é pra isso que serve a educação”, acredita Pilar.fórmula

Legado
“Ela faz com que a gente sinta as coisas, é muito diferente. Ela envolve o mundo, faz com que tudo vire língua, tudo vire português, é muito legal”, elogia a aluna Anna Lyssa sobre o projeto e os estímulos da aula de Língua Portuguesa. Vanessa Lisboa também gosta do formato: “inspira a gente a pensar, a ter nossa própria opinião e não a ir pela opinião dos outros”, diz.

Para a estudante Vitória Santana, trabalhar com a pesquisa e a reflexão é uma vantagem em relação ao ensino tradicional do currículo escolar. “A maior parte dos professores comuns passa um conteúdo que daqui uns anos você vai esquecer; mas quando você se engaja em projetos como esse você vai levar pra vida toda, e é isso que a gente precisa”, acredita.

Os trabalhos realizados pelos alunos foram apresentados em exposições na escola e na cidade de São Sebastião, e podem ser vistos também em um museu virtual que está em construção. Clique na imagem abaixo para visitar:fórmula

Com informações: Guia Oficial DF


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1 de dezembro de 2015

São Sebastião sofre com problemas de mobilidade e sinalização


Quem conhece ou já passou pela cidade de São Sebastião sabe o quanto o trânsito é confuso, e a ausência de sinaleiros e sinalizações de trânsito em alguns pontos, juntamente com as ruas estreitas, incomodam e dificultam a vida de motoristas e pedestres. Os trechos que mais incomodam a população são o balão do Morro da Cruz, Rua Gameleira, e os cruzamentos dentro dos bairros residenciais.

São Sebastião é considerada uma Região Administrativa há 21 anos, e os problemas reclamados que envolvem as questões de mobilidade e trânsito tem se refletido em números. Segundo dados levantados pelo DER (Departamento de Estadas e Rodovias) em parceria com o Detran (Departamento de Trânsito do Distrito Federal), São Sebastião teve 43 pessoas mortas em acidentes de trânsito de 2006 até hoje. O relatório envolveu as 10 principais vias da cidade, e a Av. São Sebastião foi a rua com mais acidentes, com um total de 16 mortes.

Segundo informações da administração, existem obras em andamento, obras concluídas e alguns futuros projetos para melhorar ou ao menos amenizar esses problemas. A obra já concluída se refere a ampliação do balão da Esaf, que contempla os moradores não só de São Sebastião, mas também dos Jardins Mangueiral, Lago Sul e Jardim Botânico.

Valdemiro Ferreira, 42, é motorista de ônibus da Viação Pioneira há 7 anos e comemora a conclusão da obra. “ O acesso à nossa cidade ficou bem mais rápido, e o trânsito nos horários de pico deu uma aliviada, apesar de não ter resolvido”, concluiu Ferreira.

Já a duplicação da via DF-463, que está em andamento, é uma obra que beneficia diretamente a população da cidade. De acordo com Keves Diogo, que é chefe de gabinete da administração de São Sebastião. “A duplicação da DF-463 vai beneficiar diretamente 55 mil pessoas da nossa região. Essa obra terá como benefícios uma maior fluidez, maior velocidade média do trânsito, e diminuição no número de acidentes”, destacou Diogo.

A estimativa do chefe de gabinete é que a obra de duplicação da rodovia DF-463 vai custar R$ 6,5 milhões, e que será concluída até outubro. O departamento responsável pela obra é o DER, que contratou a empresa JM Engenharia para a realização das obras. O local também já recebeu uma área de escape. Essa medida é uma alternativa para rota de fuga para acidentes com veículos pesados que perdem o freio ou o controle, situação que já ocorreu na via diversas vezes.

Na administração da cidade, a pauta em prioridade é evitar acidentes. Pensando nisso, a descida da via DF-463 também recebeu pardais para ajudar a controlar a velocidade, e placas foram colocadas ao longo do caminho orientando e alertando os motoristas do risco em potencial.

Projetos que podem sair do papel
Sobre as sinalizações e sinaleiros de trânsito da cidade, Keves Diogo diz que já existem projetos em andamento e que resolver esse problema é umas das prioridades da atual gestão. “ A administração realizou um estudo detalhado dos pontos da cidade que necessitam de semáforos, de quais placas precisam ser revitalizadas, e quais os locais que precisam de novas sinalizações”, concluiu o chefe de gabinete.

Esse estudo detalhado da administração apontou para os mesmos problemas e locais a receberem as melhorias. Sinal de que o levantamento foi realmente feito. O estudo aponta necessidade de melhoria de sinalização no balão do bairro Morro da Cruz, sinaleiro na entrada da cidade, um na Rua da Gameleira e outro na Praça Labodeguita. Os locais de novas placas, faixas, estacionamentos, calçamentos e quebra-molas, bem como a pintura dos mesmos, já foram checados pela equipe que organizou o estudo.

Mas Diogo alega ter algumas dificuldades com o andamento desse projeto. “Já entregamos o levantamento junto ao Detran, mas eles alegam não ter recursos no momento, e que não existe nenhuma empresa contratada no momento para realizar esse tipo de manutenção”. Segundo Keves Diogo, esses projetos também dependem da regulamentação do registro cartorial da cidade que ainda não saiu.

A assessoria do Detran-DF admitiu que, atualmente, não existe nenhuma empresa contratada para esse tipo de serviço, e que estão em processo de licitação. Porém, alegam não ter recebido qualquer relatório de estudos da administração de São Sebastião, e se mostram disponíveis para realizar a verificação dessas necessidades da cidade quando solicitado.

O povo fala:
A comerciante Mariza Rocha, 50, está com sua banquinha na Rua Gameleira há 10 anos e diz que já viu de tudo. “ É carro, moto, gente, bicicleta, ônibus e caminhão dividindo o mesmo o espaço das ruas estreitas da cidade. Já vi todo tipo de acidente aqui, fico sempre atenta porque o medo sempre existe”, comentou Rocha.

Nilza Souza é moradora local há 22 anos, e mostra indignação com alguns aspectos da cidade e cobra da administração. “Cadê as faixas? E as que tem estão apagadas. Sem falar na falta de calçada para os pedestres e de estacionamento nas áreas comerciais”, reclamou Souza.

Lucas Nunes, 25, é vigilante e sempre morou em São Sebastião. Ele dirige carro e moto e em ambos veículos, ele não se sente seguro para dirigir pela cidade. “A ausência de sinalização e os quebra-molas apagados dificultam a vida dos motoristas. Eu prefiro a moto porque tem horas que dirigir aqui é um tormento. Com as ruas cheias de buracos, e os balões e rotatórias confusos eu fico mais vulnerável”, ponderou Nunes.

A administração enfatiza que para o segundo semestre, o que está garantido mesmo são ações que visam organizar a cidade, como o recapeamento das principais avenidas da cidade com a operação chamada “Tapa buraco”, a limpeza de bueiros, pintura de meio fio e retirada de entulho.


Duplicação da DF-463 em andamento.

Redutores de velocidade na Avenida São Sebastião amenizam a situação.

 Fonte: IESB

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27 de novembro de 2015

Dois lados de São Sebastião


Condições precárias de vida. Andando por São Sebastião, tive outra concepção do cotidiano de lá. Moradias sem rede de esgoto, apenas com fossas. Em outras casas, havia somente canos que desaguavam na rua. Foram as primeiras impressões quando visitamos o pintor Francisco Magalhães. No lote, um barraco à beira de um barranco; lá embaixo, o córrego que passa serve para tomar banho, mas logo vimos que não é limpo. Entulhos de lixo acabam sendo despejados na água. Quando chove, há risco de deslizamento, e a enxurrada pode derrubar a casa dele. 

Ao sair para trabalhar, os filhos de outro morador, José Francisco, convivem com a falta segurança nas ruas. Por ameaças de criminosos contra o filho, José teve que mandá-lo de volta para Januária, cidade do interior de Minas. A realidade da família é de medo por causa dos filhos que estudam e, ao saírem para o colégio, não sabe se voltam vivos. A escola é longe de casa. Algumas vezes, motoristas da empresa responsável pelo transporte coletivo não estavam cumprindo linhas pelo bairro, por haver uma série de assaltos a ônibus. Quanto ao lote de José, há antigos eletrodomésticos do lado de fora da casa, restos de lixos jogados pelo chão, sofá velho e aros empenados de bicicletas.

Em seguida, fomos a uma vila de invasões logo atrás do bairro Bosque. No Capão Cumprido, observamos um cenário de condições precárias como esgoto a céu aberto, mau cheiro, casas construídas em barrancos. Lá não há escola nem posto de saúde. Quando alguém passa mal, tem que ir para o Hospital de Base, em Brasília, para ser socorrido.
David Barrados, morador, conta:- O socorro que tem é Deus, porque você confiar em hospital hoje em dia é complicado, o que mais você vê por aí é gente morrendo nas filas. Num caso emergencial posso até confiar, mas não conto muito com o governo.

No segundo dia, pegamos o ônibus e fomos ao Morro da Cruz. Por que esse nome? No centro do Bairro há um morro com uma Cruz. De cima do Morro, há uma visão ampla do local e percebe-se que o Bairro é novo por lá. 

Andando mais um pouco, uma das moradoras, Edivania Aquino, destacou a falta de segurança:
- Meu pai, que mora na mesma rua, teve a casa roubada cinco vezes, e também aqui tem muita droga, quase não vejo polícia por aqui.  

Para finalizar o dia, andamos mais uns quilômetros, e encontramos Maria Conceição. A dona de casa tem intenção de voltar para a terra natal no interior do Maranhão, Barra do Corda, de onde veio para buscar melhores condições de vida:


- Eu pretendo ir embora daqui porque meu marido tá doente de hérnia de disco na perna, e não tem como a gente ir para o hospital porque é longe e meu marido trabalha de caseiro.
Essa impressão me causou uma quebra de conceitos sobre a cidade. Quem vê São Sebastião de longe pode achar que há apenas residências de classe média, mas se seguir adiante na região administrativa, vai perceber outra dura realidade de vida. 

Por Rodrigo Nunes

Desmistificando São Sebastião


“Sofro com a violência”, afirma José Francisco, morador da cidade há 28 anos. São Sebastião é diversificada: moradias pequenas, grandes, baixas, altas, ruas com esgoto a céu aberto; paraíso para muitos, sim, para outros nem tanto. De carro, é perto, 23 quilômetros. Quem mora lá e trabalha no Lago Sul ou no Jardim Botânico, vai de bicicleta, apreciando a vista, e ainda economiza a passagem, olha que vantajoso. Chegar de ônibus é fácil, 56 linhas entram e saem da cidade todos os dias. Seria até bastante se não estivessem sempre lotados.

Restaurante Comunitário até tem, porém o preço subiu de um para três reais. Para uma família grande é melhor comprar uma galinha viva na feira no centro da cidade, fica mais barato e já garante o almoço.  


Setor Tradicional, Centro, João Cândido, Morro do Preá, São Bartolomeu, Vila Nova, Vila do Boa, São José, Nova Betânia, Bela Vista, São Francisco, Bonsucesso e Residencial Oeste, Residencial Vitória, Morro da Cruz, Itaipu, Capão Cumprido, ufa, quantos bairros! De acordo com Jean Duarte, administrador da cidade, são 12, mas na realidade, se contarmos com as áreas ocupadas, quantos mesmo existem? 

No Morro da Cruz, a vista é perfeita. O problema é subir com um sol de 30 graus e coberto de poeira, mas vale a pena o passeio. Fomos duas vezes à cidade para entrevistar, analisar, explorar, verificar, indagar e compreender um pouco mais sobre a cidade que escolhemos - não por acaso, mais pelos graves problemas sociais. Chegamos a ser chamados de Anjos por Francisco Magalhães, o Índio. Ele que mora à beira de um barranco, com lixo por todos os lados e galinhas no quintal. Renda fixa é luxo, ele sobrevive apenas fazendo bicos como pintor. 

Perigo tem, e muito. Desconfiados, os habitantes entram em casa quando tentamos abordá-los. Ao fazermos uma entrevista com um morador, um carro suspeito com dois homens parou perto de mim e de meu colega, e ficou observando por uns dez minutos. Foi muito estranho, mas isso faz parte do cotidiano de um jornalista, essa tensão de que algo imprevisto possa acontecer a qualquer momento. 

Como diz nosso professor Luiz Cláudio Ferreira, “temos que mostrar a surpresa, o diferente”. Não tentamos mudar nada, mas quem sabe nós conseguimos? Afinal, jornalismo consiste em informar os problemas. Porém, não basta mostrar só o lado ruim, é preciso expor também algo positivo. Essa foi minha experiência ao realizar a matéria sobre a décima quarta região administrativa, conhecida como São Sebastião.  

Por Sérgio Lopes

Veja abaixo o vídeo com fotos da reportagem:


Fonte: Jornal Esquina

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