22 de abril de 2015

Em quatro meses, AGEFIS derruba cinco mil casas no Distrito Federal.

430 barracos derrubados em uma invasão de Ceilândia

De acordo com a Agefis (Agência de Fiscalização do Distrito Federal), nos primeiros meses deste ano, cinco mil casas em áreas de invasão foram derrubadas. O número é equivalente a dois terços do balanço das operações em todo o ano de 2014.
A maior parte das operações aconteceu no Setor Habitacional Água Quente, no Recanto das Emas (DF) e no condomínio Sol Nascente, em Ceilândia (DF). Foram cerca de 3.500 casas derrubadas nas duas áreas. Outras ações foram feitas em várias regiões administrativas do DF, como Águas Claras, São Sebastião, Planaltina, Sobradinho e Samambaia.
invasão, em Ceilândia, a sensação é de alívio com a saída dos invasores. Foram derrubados 433 barracos. O resultado ainda está no local: restos de casas, tijolos e móveis. A agência diz que continua monitorando o local para eivtar novas invasões.
De acordo com Bruna Pinheiro, presidente da Agefis, a agência fiscalizadora precisou mudar a forma de trabalho para alcançar o resultado. Inclusive derrubando casas já habitadas, o que não acontecia antes.
As próximas operações devem acontecer no Setor Habitacional Crichás, em São Sebastião; condomínio Altiplano, no Lago Sul e na Colônia Agrícola 26 de Setembro, em Vicente Pires.

Fonte: R7.com

16 de abril de 2015

Câmara aprova projeto que permite a volta de vans para o transporte do DF


A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa aprovou projeto que permite a volta das vans no transporte público do Distrito Federal. Os veículos estão proibidos de circular como transporte alternativo há seis anos. 
O projeto aprovado pela Comissão prevê a integração das vans como atual sistema. Foram três votos a favor e nenhum contra.  O governo deverá fazer licitação para contratar o serviço, mas as linhas não podem ser as mesmas dos ônibus.
O projeto de lei ainda deve ir ao Plenário para votação. Se aprovado, será encaminhado para sanção ou veto do governador.
Quando as vans foram proibidas de circular, em 2008, foi alegado que os veículos não atendiam a necessidade dos passageiros, desrespeitavam a lotação e desobedeciam a normas básicas de segurança, causando acidentes.
Fonte: R7.com

10 de abril de 2015

Morro da Cruz na mira do GDF

Em amarelo, local onde será construído os apartamentos do novo bairro Crixá.
Orientado pelo governador Rodrigo Rollemberg, o secretário de Gestão do Território e Habitação, Thiago de Andrade, foi incisivo ao afirmar nesta quinta-feira (09), que as centenas de famílias que construíram casas no Morro da Cruz, área que dará lugar a construção de casas e apartamentos serão erradicadas pela AGEFIS.
A informação foi dada ao próprio presidente da Associação dos Moradores do Morro da Cruz, Bernardo Rogério Filho, que saiu da reunião preocupado com a situação das famílias que moram na área Zumbi de Palmares. No dia 1 de abril a AGEFIS realizou uma operação derrubando 13 casas e ainda humilhou e levou para a delegacia os representantes da comunidade.
O secretario Thiago de Andrade disse ainda ao representante dos moradores do Morro da Cruz não achar justo que os atuais moradores furem a fila dos já escritos ao projeto do novo bairro Crixá e Nacional que serão construídos na região administrativa de São Sebastião.
Thiago de Andrade diz que casas do Morro da Cruz serão derrubadas
O programa habitacional para famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil. gestado durante o governo Agnelo passou agora ser a maior ambição do governo Rollemberg. O governo diz ter total apoio dos 24 deputados, entre eles o distrital Lira, um dos mais votados no Morro da Cruz, bem como de Agaciel Maia. Essas novas unidades serão construídas na região do Crixá (2.960) e Bairro Nacional (3.872), em São Sebastião.
As obras custarão, aproximadamente, R$ 520 milhões. O projeto prevê prédios de quatro pavimentos (térreo mais três), com apartamentos de dois dormitórios e 46 metros quadrados. O contrato com a empresa responsável está em fase de homologação.
O medo voltou ontem a atormentar as centenas de moradores que não sabe o que fazer e para onde ir com as suas famílias se realmente o plano de derrubadas for posto em pratica pelo governo. A revolta é geral. Muitos dispostos a enfrentar os tratores da AGEFIS e resistir as derrubadas.
Ontem, o presidente da Associação, Rogério Filho, procurou o gabinete do deputado distrital Lira (PHS) mas não o encontrou na Câmara Legislativa. Lira foi o deputado que recebeu a maioria dos votos dos dez mil moradores do Morro da Cruz na eleição do ano passado.
Durante a campanha eleitoral ele e o então candidato a governador Rodrigo Rollemberg, numa “roda de conversas” com a comunidade prometeram que a situação dos moradores seriam regularizadas e que não haveria derrubadas de suas moradias. O povo acreditou.
No dia da derrubadas das 13 casas pelos tratores da AGEFIS o distrital não se fez presente na comunidade. O celular dele ficou desligado, segundo o presidente da associação dos moradores. Acusado pela população de não aparecer no momento em que a comunidade mais precisou dele, o distrital procurou na última terça-feira (08) a presidente da AGEFIS, Bruna Pinheiro, para pedir, segundo ele, explicações sobre as recentes derrubadas de residências ocorridas em São Sebastião.
Na sua página pessoal no facebook, Lira diz ter cobrado um tratamento diferenciado às famílias que moram atualmente nos bairros Morro da Cruz, Capão Comprido, Crixá e Vila do Boa, por serem áreas de interesse social.
A presidente da AGEFIS, por seu turno, esclareceu que a agência está considerando como invasões novas todas as construções que foram levantadas depois de julho do ano passado. Bruna Pinheiro também disse ao deputado que não haverá concessões e que as casas serão demolidas.
Pressionado pela população o deputado distrital está convidando todos os moradores do Morro da Cruz para esclarecer dúvidas sobre as recentes derrubadas feitas pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal na região. Ele diz que quer conversar com a população sobre o assunto.
1 frase lira
A reunião será no próximo sábado (11/4) às 17h, em frente à antiga quadra de tênis. Por conta do convite muitos foram os comentários nas redes sociais.

8 de abril de 2015

Recursos para a mobilidade urbana estão mantidos na pauta do governo

A DF-463 terá a duplicação retomada ao custo de R$ 6,7 milhões. 
Mesmo com a crise financeira que atravessa Brasília, os recursos para a mobilidade urbana estão mantidos na pauta do governo. Nos próximos dias, moradores de seis regiões administrativas deverão ver o início de obras de pavimentação, sinalização e duplicação de rodovias distritais.

O conjunto de empreendimentos, sob responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER), totaliza cerca de R$ 34 milhões — recurso oriundo do empréstimo de R$ 500 milhões contraído pelo governo junto ao Banco do Brasil em 29 de janeiro, com destinação exclusiva para obras de mobilidade e de infraestrutura.

Outros R$ 208,5 milhões do repasse da instituição financeira deverão se converter em benefícios para os brasilienses ainda no primeiro semestre deste ano. A Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) receberá R$ 43,3 milhões, e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab), outros R$ 9 milhões. Para a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, serão R$ 24,1 milhões, e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) terá à disposição R$ 126 milhões. O restante dos R$ 500 milhões será desembolsado no segundo semestre de 2015.

Além de buscar financiamento externo, o governo se esforça para evitar que o dinheiro que já foi repassado ao DF não seja desperdiçado. É o que aconteceria com os R$ 84 milhões emprestados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também para investimentos em obras e na gestão da mobilidade em Brasília. O montante representa a última parcela de um empréstimo de US$ 177 milhões contraído em 2009. Caso não seja utilizado até julho, terá de ser devolvido.

Além de lidar com problemas técnicos no orçamento, que impediam que o valor fosse de fato investido, a Secretaria de Mobilidade teve de renegociar as obras e os projetos previstos no contrato. "Algumas ações requeriam mais tempo e, portanto, perderíamos o dinheiro; para evitar isso, repactuamos uma parte do plano”, explica a subsecretária de Mobilidade do Distrito Federal, Sônia Haddad.

Para incluir obras e serviços cuja execução seja viável até julho, a pasta aproveitou programas de trabalho e planos orçamentários do DER, poupando tempo. “A integração é fundamental e deve se manter de forma a viabilizar planos, projetos, obras e ações para o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal”, observa o diretor-geral do DER-DF, Henrique Luduvice.

Rodovias
As seis regiões administrativas beneficiadas pelas melhorias viárias são Jardim Botânico, Lago Sul, São Sebastião, Planaltina, Gama e Brazlândia. As obras nas rodovias distritais anunciadas pelo DER têm conclusão prevista para até 180 dias após iniciadas.

Na DF-035 (Estrada Parque Cabeça de Veado) — que liga a DF-025 (Estrada Parque Dom Bosco, via que contorna o Lago Paranoá pelo Lago Sul) à DF-001 (Estrada Parque Contorno, que circunda todo o DF) —, serão restaurados 4 quilômetros, incluindo serviços de sinalização horizontal. O investimento de R$ 4,2 milhões vai trazer melhorias a moradores do Lago Sul e do Jardim Botânico.
A DF-463, que liga São Sebastião à DF-001, terá a duplicação retomada. Os 3,9 quilômetros, em obra ao custo de R$ 6,7 milhões, também passarão pela adequação dos acessos ao Jardins Mangueiral e ao Jardim Botânico III. 

Na região de Planaltina, será pavimentado o trecho da DF-131 que liga as rodovias DF-205 (que percorre todo o norte do DF, de leste a oeste) à DF-128, que contorna a Estação Ecológica de Águas Emendadas e leva à cidade de Planaltina de Goiás. As obras previstas englobam serviços de terraplenagem, pavimentação, drenagem e sinalização, além de serviços complementares e de recuperação do meio ambiente, com valor previsto de R$ 11,6 milhões.

No Gama, a população verá a construção da marginal da DF-480, no trecho entre a DF-001, logo na entrada da cidade, e a Universidade de Brasília. Os R$ 6,1 milhões previstos incluem serviços de terraplenagem, pavimentação, drenagem, sinalização, obras complementares e de recuperação do meio ambiente.

Os 4 quilômetros da rodovia vicinal VC-533 que ligam a ponte do Rio Descoberto, no setor rural Padre Lúcio, em Águas Lindas de Goiás (GO), à BR-080 (que passa por Brazlândia e Planaltina) também receberão asfaltamento. A obra de R$ 5,4 milhões deverá ficar pronta em três meses. O setor rural é vizinho a Brazlândia, onde os moradores costumam ir em busca de serviços e do comércio.
Fonte: Agência Brasília

1 de abril de 2015

Derrubada no Morro da Cruz



Hoje, quarta-feira, (01/04/2015), não foi o dia da mentira para alguns moradores do bairro Morro da Cruz. O bairro é uma ocupação urbana irregular, mas já consolidado pelo grande número de moradores e de casas. Eram chácaras que foram fracionadas em pequenos lotes e aos poucos se consolidando um grande bairro de São Sebastião.

Algumas áreas estão sendo monitoradas pela a AGEFIS, Agência de Fiscalização, e com isso, houve uma derrubada de casas, muros, cercas em alguns locais.

Essa ação provocou muita indignação, principalmente aos atingidos diretamente e aos usuários da rede social Facebook, no grupo Oficial São Sebastião.








Indignação dos usuários nas redes sociais:






23 de março de 2015

Morro da Cruz e Residencial Vitória


Sobrados, casas de um pavimento, estabelecimentos comerciais. Todos os dias uma nova construção surge nos bairros Morro da Cruz e Vitória, em São Sebastião. Como o primeiro nome sugere, ambas localidades ficam em cima de um morro e a fronteira entre elas é imaginária. A maioria das obras da região ainda está no tijolo e há areia e pedras espalhadas pelas  ruas, sinais claros de que os trabalhos por ali são contínuos. Para piorar, casas estão sendo erguidas próximo a um córrego da região, em uma área de proteção ambiental.

Edvânia Santos, manicure, de 34 anos, é moradora do Morro da Cruz. Ela conta que a região não possui água encanada e luz elétrica. “Gostaríamos de pagar pela água e luz que consumimos, mas a CEB e a Caesb dizem que só poderão oferecer esses serviços após a regularização da área, que ainda não tem prazo”.

Enquanto isso, a população faz as famosas “gambiarras” ou “gatos” para obter luz elétrica e utiliza água de poços artesianos. “Agora que o bairro já está desenvolvido, acho muito difícil ocorrer uma derrubada (das casas). O governo deveria legalizar logo”, completa a manicure.

Área irregular
O auxiliar administrativo Carlos Eduardo Bontempo, 42, reclama da falta de posicionamento da administração regional. “Não dizem nada sobre a regularização, ficamos sem saber o que vai acontecer. Ninguém está aqui porque acha bonito, precisamos de um lugar para morar”. 

Alberto Inácio, ajudante de obras, de 42 anos, está construindo a casa em que morará com a família a poucos metros do córrego. “Temos uma cessão de direito das terras e, desde que começamos a construir, ninguém nos disse nada”, justifica ele. 

Questionado sobre as operações de fiscalização na área, Inácio afirma que “nunca viu”.  
Rogério Araújo Júnior, presidente da Associação de Moradores do Morro da Cruz, admite que ele mesmo comprou um lote de terceiros. “Sei que é ilegal, pois os antigos chacareiros parcelaram as terras”, diz ele.“Queremos contribuir, pagar água, luz e IPTU, mas, para isso, a área precisa ser regularizada”, completa.

Associação de moradores se defende
Ainda de acordo com Rogério Araújo Júnior, entra governo, sai governo e as propostas de regularização da área continuam na promessa. “No governo passado, pediram que novas construções fossem suspensas para poder dar início ao processo de regulamentação. Acontece que a gente pede aos moradores, mas não tem como controlar isso”, lamenta.   

Ele lembra que quando se mudou para o morro, há cerca de cinco anos, ainda havia poucas casas na região. “Morava de aluguel com a minha família e, então, vi o Morro da Cruz como uma oportunidade de ter a casa própria”, alega.

Agora, com o impasse longe de ser resolvido, Rogério afirma que a associação tenta um encontro com o novo governo. “Queremos respostas, sejam elas quais forem”, conclui.

Meio ambiente
No que tange à proteção ambiental, o Código do Meio Ambiente estabelece que ocupações habitacionais só podem ser realizadas a, no mínimo, 30 metros de distância de córregos.

A Administração Regional de São Sebastião foi procurada para comentar sobre o assunto, mas, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi emitida.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

20 de março de 2015

DER propõe mudanças no balão da ESAF


A iniciativa é uma resposta rápida às reivindicações da Associação Comunitária dos Condomínios do Jardim Botânico (AJAB),que reuniu várias lideranças da região em audiência com o Superintendente de Obras do DER, Cristiano Cavalcante, e com representantes da Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal.

Em um encontro na comunidade do Jardim Botânico, coube ao engenheiro de transito Darione José Maria, do Departamento de Estradas e Rodagem do DF, apresentar o projeto que visa desafogar o enorme fluxo de veículos na região. 

Ele explicou que serão feitas obras emergenciais no balão da ESAF, que será diminuído em seu diâmetro para que a via de rolamento seja aumentada para 3 faixas. De acordo com o projeto, a via marginal do comércio será de apenas mão única até às 09 da manhã para facilitar o fluxo.

O DER também fez um levantamento sobre os acidentes ocorridos nos pontos críticos da DF-140, depois do alerta feito por Jose Raimundo Pinto, líder comunitário do Setor Habitacional Tororó. De acordo com o engenheiro Darione José, serão feitas algumas intervenções com lombadas e pardais de controle de velocidade da via. A DF-140 também ganhará novas placas de sinalização.

Outra iniciativa para melhorar a mobilidade do transito na 001 é a conclusão da duplicação da DF-463, principal acesso a São Sebastião. Será construído um balão de acesso ao Mangueiral onde moram mais de dez mil pessoas. O reinício das obras de conclusão das DF 463, segundo estimativa do DER, ocorrerá em junho. 

A presidente da AJAB, Viviane Fidélis, disse que as obras, embora emergenciais, serão de extrema necessidade para a melhoria da mobilidade urbana da região por onde passam cerca de 100 mil veículos todos os dias. Ela afirmou que o pleito atende a um oficio enviado ao DER pela Associação dos Condomínios solicitando ajuda na melhoria do conturbado transito da cidade. Para o presidente da Associação dos Moradores do Tororo, Major Bento, as intervenções irão minimizar as ocorrências de acidentes na região.

Para Wander Azevedo, representante do Setor Habitacional São Bartolomeu, a iniciativa do DER contempla aos apelos feitos pelas entidades representativas da região. Ele afirmou que a situação do transito na região só irá mesmo ser resolvido quando o governo colocar em pratica as obras estruturantes, cujos projetos faltam sair das pranchetas.

Azevedo exemplificou a duplicação da DF-001 e a duplicação da DF-140 como obras importantes para dar vazão à grande quantidade de veículos afugentados pela cobrança de pedágio da 040. “Se não for feita alguma coisa a região sofrerá com um transito pesado e insuportável”, prevê ele.

No entanto, o Superintendente de Obras do DER, Cristiano Cavalcante, informou às lideranças da região que o governo já liberou R$ 9 milhões de reais para aplicar no Anel Viário de Brasília, e que a duplicação da DR 140 e da 001 são obras prioritárias.

Da Redação Radar
Contato: radarcondominios@gmail.com

12 de março de 2015

Morro da Cruz



Em uma área historicamente marcada pela grilagem de terras, novas moradias surgem sem controle do Estado. Há quatro meses, em um terreno ainda livre de invasões no bairro Morro da Cruz, em São Sebastião, demarcações com madeira no solo alertavam sobre a irregularidade, agora consolidada. A vegetação foi engolida por residências. Há pelo menos 10 casas de alvenaria em fase final de construção, além de muros e cercas. Apesar de se tratar uma área rural, os moradores da região garantem que o local deixou de ter atividades agrícolas muitos anos atrás e esperam a regularização.

O bairro do Morro da Cruz é um dos mais locais mais visados pelos grileiros, de acordo com os órgãos de fiscalização. No ano passado, houve 203 operações da Subsecretaria da Ordem Pública e Social (Sops) na região para conter o avanço das invasões. Ao todo, 447 construções foram demolidas e 88 quilômetros de muros e cercas, derrubados. Existem na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema) 29 inquéritos policiais em aberto para investigar as irregularidades. No entanto, as investidas do Estado não foram suficientes para conter o surgimento do novo conjunto habitacional, que traz no endereço a palavra chácara. O Correio esteve na área em novembro do ano passado. À época, havia mato e algumas demarcações de lotes com madeiras. Quatro meses depois, as moradias tomaram conta.


De volta à região, a reportagem flagrou terrenos parcelados e vendidos à população sem autorização do Estado. Muros e casas de alvenaria são erguidos sem qualquer controle. Faixas com número de telefones denunciam a venda de lotes sem permissão. A atividade agrícola, prevista para o terreno, inicialmente, também não existe mais. Abordado, um morador confirma a descaracterização do lugar. “Isso aqui deixou de ser chácara há muito tempo, virou uma cidade. Estamos esperando a regularização.”

Mapa
Além do Morro da Cruz, em São Sebastião, outras áreas são alvo constante de invasores. Levantamento da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e da Ordem Urbanística (Dema) no ano passado apontou o Assentamento 26 de Setembro, em Taguatinga; o Núcleo Rural Alexandre Gusmão, em Brazlândia; o Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia; a Ponte Alta, no Gama; e o Altiplano Leste, no Lago Sul, como os locais visados pelos grileiros. Em todo o DF, a Sops realizou 957 ações em 2014 que resultaram na derrubada de 8,2 mil construções irregulares, entre casas e fundações. Material usado para erguer 470 quilômetros de muros e cercas também foram apreendidos.

Sobre a área do Morro da Cruz, a Sops informou que inspeciona a região periodicamente e realiza ações de retirada de obras irregulares. A Agência de Fiscalização (Agefis) garante que a ocupação irregular na área ocorre há mais de sete anos e tem monitorado o avanço das construções na área. Em média, de acordo com o órgão, são realizadas quatro operações de demolição por ano.


A Agefis garante que a nova gestão terá tolerância zero com as novas invasões em qualquer parte do DF. “Desde janeiro de 2015, vem sendo elaborada uma ação fiscal para operações demolitórias no Morro da Cruz. Invasões antigas vão ser tratadas de forma diferente”, diz o órgão, por meio de nota. O delegado-chefe da Dema, Ivan Dantas, informou que os órgãos de fiscalização passaram por uma reestruturação. “Lá, com certeza, será alvo de ações. É uma das áreas mais visadas para a grilagem”, disse.  Na Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), há seis inquéritos policiais, cinco ações penais e quatro procedimentos administrativos a serem investigados. “Os órgãos de fiscalização precisam agir de forma conjunta porque, isoladamente, não há efeito prático”, analisou o promotor Márcio Albuquerque.

29
Número de inquéritos policiais no Morro da Cruz, em São Sebastião

203
Quantidade de operações já feitas pela Sops

447
Casas foram demolidas no ano passado pela subsecretaria

2 de março de 2015

Déficit habitacional: demanda é de 32 mil moradias por ano


“Muitas vezes, a gente deixa de se alimentar para pagar o aluguel. Aí, você tira da boca do seu filho pelo fato de não ter onde morar”, desabafa Fabrícia Carnauba, de 39 anos. Desempregada, mãe de quatro filhos, sendo um deles deficiente, ela vive hoje em Ceilândia Norte. A família engrossa o déficit habitacional do Distrito Federal, que chega a 32,5 mil moradias por ano, segundo a Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth). No último governo, apenas dez mil unidades foram entregues pelo Programa Morar Bem. Enquanto isso, mais de 350 mil inscritos, incluindo Fabrícia, aguardam pela casa própria.

Diante do cenário e da ausência de respostas, que espera há 14 anos, desde que fez sua inscrição na Codhab, Fabrícia sustenta a casa alugada do jeito que pode. Hoje, ela paga o valor mensal de R$ 560 pelo pequeno espaço, dinheiro que só consegue graças à ajuda do primo. “Fui à Codhab para reclamar porque tem gente solteira ganhando o lote. Jovens sem filhos com imóvel na mão”, diz a dona de casa, que abriu mão do emprego para cuidar da filha de 16 anos, portadora de deficiência mental. 
Solução
O problema de Fabrícia e dos outros 350 mil inscritos no programa pode estar longe de ser resolvido. A intenção da atual gestão do GDF é entregar cerca de dez mil unidades habitacionais ainda neste ano. Contudo, salienta o diretor imobiliário da Codhab, Jorge Gutierrez, entre os desafios está “a obtenção de recursos financeiros para obras de infraestrutura”. Além disso, esclarece, “o processo de habilitação está passando por uma revisão geral, visto que foram detectados habilitados com renda superior à prevista nos programas.” 

Invasões contribuem
 A previsão, conta ainda o diretor imobiliário da Codhab, Jorge Gutierrez, é entregar, nos próximos meses, 112 unidades em Samambaia, 928 no Paranoá Parque e 2.304 no Parque do Riacho. “A Codhab está somando todos os esforços e estudos técnicos para entregar em 2015 praticamente a mesma quantidade de unidades habitacionais entregues nos últimos quatro anos”, frisa o diretor, que condena ainda as ocupações irregulares distribuídas no território do DF: “Para que um programa habitacional seja efetivo, as invasões devem ser integralmente evitadas, visto que interferem e atrasam a execução do planejamento habitacional realizado.”

Por isso, ressalta o diretor imobiliário da Companhia, a Agência de Fiscalização (Agefis) tem um papel importante na agilidade da entrega de unidades residenciais do programa Morar Bem: o de evitar novas invasões. O que, segundo a diretora-presidente do órgão, Bruna Pinheiro, vem sendo feito de acordo com as prioridades. 

“Estamos pegando todos os arquivos e analisando, justamente para quantificarmos isso. Tenho o projeto original de Brasília que eu lanço em cima do Google e me dá uma noção do que está fora do planejamento. A partir daí, iniciamos o trabalho”, afirma.

Para ela, porém, o déficit habitacional no DF coopera para que aconteçam as ocupações irregulares. “Isso estimula a grilagem de terra pública e a invasões também”, diz. O que, para quem aguarda na interminável fila de espera do programa Morar Bem, faz sentido. É o caso da dona de casa Fabrícia Carnauba, de 39 anos, que está há 14 anos cadastrada no programa. “Eu não teria coragem de invadir, porque as pessoas que fazem isso correm muito risco. Mas não sou contra essas pessoas. A gente vê tanta irregularidade acontecendo”, opina.
Fila
Cansadas de esperar na fila do programa, mais de 3,4 mil pessoas fazem parte hoje de um grupo no Facebook chamado Morar Bem DF 2015. O criador da página, Esmael Braz, 52, conta que fez seu primeiro registro em programas habitacionais em 1988. “Aí, tive meus documentos roubados e fiz novamente minha inscrição no governo Cristovam. De lá para cá, se não me engano, são mais de 20 anos”, lembra o morador do Setor P Sul de Ceilândia.

A ideia do grupo é unir forças para buscar soluções do governo que, segundo o autônomo, insiste em não dar posições concretas. “É uma enrolação. Você vai lá, liga e ninguém sabe nada”, relata.

Frustração por ainda não ter o próprio lar 
O criador da página do Facebook  Morar Bem DF 2015, Esmael Braz, de 52 anos, lamenta o fato de ainda morar de favor com os pais e não ter acesso à residência própria. “Não acho legal. Quer dizer, sou muito grato aos meus pais. Mas é uma situação constrangedora. Vim para Brasília ainda bebê, em 1963. Estou aguardando por uma coisa que eu lutei muito para ter”, relata o autônomo.

De acordo com ele, a falta de definições concretas para os cadastrados no programa é motivo de transtornos e frustrações.

“Eu acho estranho ficar iludindo as pessoas. Quando você está apto, conclui que vai receber o lote rápido. Aí, você gasta em cartório, no meu caso foram R$ 200. Vai à Codhab várias vezes, volta, e nada. É tudo uma ilusão”, completa. 

Ponto de vista
O doutor em sociologia urbana  da UnB Benny Schvarsberg  diz que o déficit habitacional está ligado à migração e ao número e preço dos imóveis à venda. “A vinda de gente para o DF nos últimos anos foi maior que a média brasileira”, disse. Para ele, quem cresceu aqui acompanha a tendência de diminuir a quantidade dos componentes do lar. Ou seja, não é maioria na necessidade de moradias.

Saiba mais
O prazo de cadastro no Programa Morar Bem se encerrou no dia 7 de dezembro do ano passado. Não há previsão de reabertura das inscrições.

Segundo pesquisa do Ipea, divulgada em 2013, o déficit habitacional no DF vem aumentando ao longo dos anos. Na região, em 2007, 96,2 mil domicílios eram necessários para acabar com o problema. Em 2012, o número saltou para 116 mil novas residências.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

6 de fevereiro de 2015

Daiane Oliveira, mãe coragem



Andar alguns quilômetros pela rua de estrada de terra que separa a casa de Daiane Silva Oliveira, 25 anos, da parada de ônibus mais próxima não é a principal dificuldade dela. Todos os dias, ela luta para conquistar nem que seja uma pequena melhora na vida das filhas. Daiane é mãe de Alice Vitória, 2 anos, tetraplégica, e de Larissa, 2 meses, prematura internada no Hospital da Criança. Daiane colocou de lado o sonho de ser fisioterapeuta para se dedicar exclusivamente às filhas. Mas, como ela e o marido estão desempregados, os obstáculos cresceram.

Daiane não sabia, até o nascimento da filha mais nova, que tinha insuficiência cervical, quando a mulher não consegue suportar o peso de uma gravidez. Tanto que as duas meninas chegaram com 26 semanas de gestação. Quando Alice Vitória nasceu, ficou internada três meses, pois, além de ser prematura, sofreu duas crises hemorrágicas. Passado o primeiro susto, a família foi para casa. Daiane ainda morava em Goiânia com o pai da criança. “Mas ele não aguentou as dificuldades e nos separamos”, conta. Com a bebê no colo, a mãe voltou para Brasília. Agora mora com os pais em São Sebastião.

Acolhida pela família, Daiane começou a notar algo na pequena Alice Vitória. “Ela era muito molinha e não fazia os movimentos normais para a idade. Comecei a desconfiar.” Na busca por uma resposta, procurou vários hospitais até ser encaminhada para a Rede Sarah, onde a filha passou por um exame de ressonância magnética. Depois de alguns meses, veio o diagnóstico: tetraplegia. “As hemorragias que ela teve quando nasceu levaram a isso. Ela não tem coordenação nos quatro membros e não segura o pescoço”, explica. “Foi dolorido. Queria vê-la engatinhar, andar e falar.” 

Daiane abandonou o trabalho como operadora de caixa e passou a se dedicar 24 horas à primogênita. A rotina de Alice Vitória se divide entre a televisão e os brinquedos em casa, as atividades do Sarah, como hidroterapia, nutricionista e pediatria, e as consultas no Hospital da Criança. “Agora, tudo o que eu tenho é para ela”, conta. Apesar do amor incondicional que as duas trocam nos olhares e que alegra os dias da mãe, no fundo, resta uma grande incerteza para Daiane. “Como a lesão foi muito grande, acho que ela não vai se desenvolver muito. O médico disse que, se até os 7 anos, ela não melhorar, vai ficar como está.”

Além de todas as dificuldades, Daiane se emociona ao comentar a “humilhação” que passa nos ônibus. “É muito difícil porque não temos uma cadeira ou um carrinho adaptado para ela. Então, tenho de ir com ela no colo e levo um outro carrinho. As pessoas ficam olhando e ninguém ajuda”, lamenta. Alice não pode ficar sem o acompanhamento médico. Segundo Daiane, ela é considerada desnutrida, e os médicos avaliam se precisará de uma sonda gástrica. 

Desde que descobriu o diagnóstico de Alice, a jovem quer, a todo custo, garantir o bem-estar da filha. Ao ver a importância do cuidado com a filha tetraplégica, Daiane chegou a construir o sonho de cursar fisioterapia. “É pelo tanto que é prazeroso ajudar uma criança assim. Mas não posso realizá-lo, pois preciso cuidar das meninas”, justifica.

Dúvida
Quando voltou para Brasília, Daiane conheceu o marido, Lenieberson Alves, 33 anos. Os dois alugam uma casa em um condomínio de chácaras próximo a São Sebastião. O endereço afastado, mais barato e sossegado, é bom para Alice Vitória, que se estressa com barulho. A residência tem poucos móveis. Há tevê e geladeira, mas faltam mesa e sofá. 

Com Lenieberson, a mulher teve Larissa. Mais uma vez, os obstáculos apareceram na vida da família. A bebê nasceu prematura e precisou ficar internada no Hospital da Criança para acompanhamento. “Tem dia que as enfermeiras me ligam dizendo que ela está carente, mas, com a Alice em casa, fica complicado. Às vezes, a minha mãe vem me ajudar e eu consigo ir lá”, comenta. Nos primeiros dias de vida, a caçula também teve uma crise hemorrágica, mas, segundo Daiane, a filha não teve sequelas. 

Agora, o casal aguarda a liberação da menina. A única certeza é de que a pequena precisará de ajuda de um tubo de oxigênio para respirar. Daiane sabe que as filhas dependerão dela para toda a vida. A mãe espera na rede pública uma cirurgia para evitar uma nova gravidez, pois sabe que não tem condições. “Ter um filho especial precisa de força e determinação. É acordar cedo e não poder adoecer. É deixar de realizar sonhos e se doar. Não me arrependo, mas queria fazer mais por elas e por mim”, conclui.

"Ter um filho especial precisa de força e determinação. É acordar cedo e não poder adoecer. É deixar de realizar sonhos e se doar. Não me arrependo, mas queria fazer mais por elas e por mim”

Daiane Silva Oliveira, 
25 anos, mãe de Alice Vitória e de Larissa

Ajude
Quem quiser prestar assistência à família de Alice Vitória e Larissa pode entrar em contato com a mãe das meninas, Daiane, no telefone 9190-7465.