A horta comunitária

Há cinco anos, Marinalva Cruz morreu de hantavirose, em São Sebastião. No lugar onde só tinha mato alto, surgiu uma plantação. A horta comunitária foi feita para protestar. Agora, está abandonada.

Praça Marinalva Cruz: a placa em homenagem à moradora, que morreu com hantavirose em 2005, ainda está de pé. As crianças ainda cuidam do espaço e brincam no parquinho construído onde havia mato e lixo. O ambiente não é mais dos ratos silvestres que transmitem a doença. Mas a horta que também surgiu para acabar com os roedores quase não existe mais.

O mato voltou a crescer. O que sobrou resiste, principalmente, por causa de dois antigos moradores. Um trabalho solitário. E alguns cuidados foram deixados de lado. Um funcionário da Vigilância Ambiental chama a atenção.

“A caixa-d´água tem que permanecer fechada permanentemente. Se for usar destampa, quando terminar tampa”, explica o técnico da Vigilância Ambiental.

Orientações sobre como lidar com a plantação cercada pelo cerrado também foram dadas. “Nunca deixar de usar os equipamentos de proteção: luva e calçado fechado. E sempre trabalhar na capina a favor do vento, assim, evita de inalar a poeira”, afirma o veterinário da Vigilância Ambiental Pericles Massunaga.

Gonçalo de Souza Uchôa tem lembranças de quando a horta era diferente e a motivação de todos. “No começo, nós trabalhávamos animado, plantamos muita coisa”, lembra o morador.

Há dois anos, havia alface, milho, cebolinha. Muitos tiravam o sustento da plantação. Como a horta era comunitária, não havia um compromisso formal. E muita gente, inclusive que nem trabalhava por na plantação, achava que podia vir e levar o que era plantado. Agora, eles querem criar uma associação para registrar a horta e organizar o plantio

“A nossa intenção é ter uma parceria com a Administração Regional e vender os produtos na feira. Assim, o que entrar vai voltar para a horta, para poder comprar semente e adubo. A gente não que viver pedindo as coisas”, explica a moradora Hosana Alves.

O pedido de apoio já foi feito também à Emater. É de onde vai vir o auxilio de material e orientações sobre como cuidar da nova horta, que não deve demorar muito para dar os primeiros sinais de recuperação.

“A partir do momento que se constitui a organização e eles iniciam o trabalho, pelo menos, um mês para ter a produção de rabanete, alface, mas efetivamente uns seis meses para a área toda”, afirma Luiz Ueno, da Emater.

Assim, José Luis Mesquita, aos 82 anos, vai poder continuar a cuidando da horta e da saúde. “Cuidar desta horta pra mim é como se fosse tomar remédio todos os dias”, diz o morador José Luis Mesquita.

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Fonte: DFTV 1ªEdição
Reportagem exibida em: 11/07/2009



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