O (a)mar ao longe - Por Francisco Neri

Fria solidão silenciosa

Mar distante, agitado
Coração pulsante, solitário
Teu amor ausente
E de repente
Ouço batidas cá e lá
Aqui, meu coração que extravasa dor
Lá, as ondas que rebentam no mar.
Sem dó.

Nas baladas da paixão
Sempre ouço uma canção
Que insiste em me contar
Que um dia irás me amar.

Seja hoje
Seja amanhã
Até o último segundo de eternidade
Pois que o amor não tem idade,
Guardarei o maior do melhor que há em mim
Por eras e séculos do sem fim
Cultivarei o nosso- amor
Como se cuida de uma flor.
Tu já és parte de mim
Desde o princípio até meu fim.
Teus olhos ainda estão nos meus
Olhos que nunca te deram adeus
Ó Musa-noite de céu estrelado
Companheira deste vã enamorado
Levai meu pensamento a Ela
Que o amor é bom e espera.

Quero tê-la diante dos meus olhos
Como se fora a primeira vez que a vi
Quando no seu olhar me perdi
Quero sentir o frescor da pele morena
O suave e perfumado hálito
O sabor do beijo doce e demorado
O calor do abraço quente e apertado
Quero perder-me em seus braços.

Ó musa encantada e bela
Por que insiste em separar-me Dela?!
Trazei-a aos meus braços
Antes que finde o outono de março!
Morra eu de tanto assim amar
Pois nesta vida não há
Coisa mais que eu faça
Que não seja cuidar desse amor
Como humilde e fiel pastor.

E se há vida após a morte
Espero então ter a sorte
De viver a eterna paixão
Ao lado deste bem-querer
Que transcende a razão
E as leis do coração.

Se se morrer de amor
Tão sublime será a morte
Que morrerei contente e feliz,
Por ter tirado, na vida, tão grande sorte.
O destino a colocou no meu
Universo que já é parte do seu
Portanto, queira Ela ou não,
Já habita este vasto coração.

Francisco Neri é Licenciado em Letras e educador do Centro de Educação Popular de São Sebastião-CEPSS e toda semana tem uma publicação aqui no blog do Morro Azul
Tecnologia do Blogger.