Centro de reciclagem ajuda comunidade de São Sebastião

Iniciativa de um morador da cidade resulta na criação de um centro de reciclagem que, além de representar uma fonte de renda, ajuda a comunidade a desenvolver a consciência ambiental e a evitar uma série de doenças

O nosso amigo e morador de São Sebastião, Francisco Nery, já havia feito uma entrevista com o senhor Santana. Para ver essa reportagem, clique aqui


O morador de São Sebastião João Ildebrando Santana, 48 anos, mais conhecido como Seu Santana, encontrou no lixo uma forma de ganhar a vida e também de ajudar o meio ambiente. Ao lado de dois amigos, ele fundou, no ano passado, a Eco Vida Recicláveis, uma empresa que ainda não saiu do papel, mas já está fazendo a diferença. Com a ajuda de dois voluntários, os três realizam um trabalho para incentivar as pessoas a separarem o lixo seco do orgânico e depois fazem uma triagem dos materiais que serão reciclados e transformados em novos objetos. Os autores da ideia sonham alto e querem estender o projeto a toda a cidade e, quem sabe, a todo o Distrito Federal.

Todos os dias eles saem às ruas para divulgar esse trabalho. Passam de casa em casa para distribuir as sacolas ecológicas — feitas de material reciclável — nas quais o lixo deve ser separado e recolhem os materiais selecionados que podem ser reciclados. Utilizam dois carrinhos de mão adaptados com duas sacolas para guardar o que for recolhido. “Mas nós precisamos de pelos menos 20 desses (carrinhos) para dar mais dignidade ao trabalho e mais oportunidade para quem quer ajudar. Sem contar que poderíamos aumentar a produção”, acredita Seu Santana. Cada carrinho custa em média R$ 450 e serve também para divulgar o projeto e as parcerias. Todo o dinheiro utilizado nesse investimento vem de parcerias e do próprio bolso dos fundadores.
Quem passa pela casa de Stênio Costa, 58 anos, um dos criadores da Eco Vida, estranha a quantidade de sacolas cheias de lixo que chegam todos os dias. É lá que funciona a sede improvisada da Eco Vida Recicláveis. O material selecionado que será vendido para as empresas de reciclagem fica espalhado pelo jardim até ter o destino confirmado. É também na residência de Stênio que a voluntária Noêmia Faustino, 40 anos, moradora de São Sebastião, faz a triagem do que pode ser reaproveitado. “Gosto do trabalho porque arrumei uma forma de contribuir com a melhora da cidade”, diz. Ela recebe uma ajuda de custo para pagar passagem e alimentação.

PARA SABER MAIS
Cidade antiga

A ocupação da área onde hoje está situada São Sebastião começou em 1957, com as instalações de várias olarias, em função das obras da construção de Brasília. Após a inauguração da capital federal, as olarias foram aos poucos sendo desativadas e deram lugar às primeiras construções ao longo do córrego Mata Grande e do ribeirão Santo Antônio da Papuda. A Agrovila São Sebastião tornou-se a 14ª Região Administrativa em 25 de junho de 1993. O nome da cidade é uma homenagem a um dos primeiros comerciantes locais.

* Fonte: Administração Regional de São Sebastião

Trabalho conjunto
Uma doença incentivou Adriano Freitas Prado, 26 anos, também morador de São Sebastião, a dar vida ao projeto Eco Vida Recicláveis. Ele teve dengue e sabe da importância de não deixar objetos que possam acumular água e contribuir para a proliferação do mosquito Aedes Egypti. “Sei o que uma garrafa PET com água no meio da rua pode fazer com a nossa saúde”, alerta. Ele acredita que, com o trabalho de reciclagem, pode evitar doenças e contribuir com a saúde da cidade.

Já Seu Santana conta que nunca pensou em trabalhar com o lixo e que a ideia surgiu por acaso. Ele era funcionário de uma empresa de locação de contêineres e começou a perceber que muitos objetos jogados fora ainda tinham condições de ser usados. A partir dessa reflexão, ele decidiu se juntar a Stênio e levar adiante a ideia de recolher aquilo que poderia ser aproveitado. “Ainda estamos no início. Temos muito o que aprender e não falta boa vontade. Mas isso só será possível com a ajuda da comunidade e de parcerias”, admite. O próximo passo de Santana é instalar pontos ecológicos, ou seja pontos de coleta, nas escolas da cidade. A regional de ensino já autorizou a ideia.

A iniciativa dos três moradores de São Sebastião chamou a atenção de outras pessoas. Francisco Neri é membro da ONG Centro de Educação Popular de São Sebastião. Eles fazem um trabalho voltado para os jovens e se interessaram pelas atividades desenvolvidas pelo Eco Vida Recicláveis. Neri conta que a ONG estuda meios de ajudar o projeto de Seu Santana e adianta que vão instalar na sede da organização um ponto ecológico para contribuir com a reciclagem. Mas para ele o mais importante é educar os moradores. “Falta a conscientização da comunidade, o trabalho tem que ser feito dentro de casa”, destaca.

Doença
Em janeiro de 2011 foram registrados 246 casos da doença, segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Esse número aponta uma redução de 64% nos registros, que no mesmo período do ano passado chegaram a 692. O DF declarou epidemia de dengue em fevereiro de 2010.

Como colaborar
Quem quiser ajudar o projeto Eco Vida Recicláveis pode ligar para os números 9916-4348, 8131-9129 e 8543-3408.

Contribuição
Depois de fazer a triagem do lixo e separar aquilo que vai para a reciclagem, eles entram em contato com as empresas compradoras do material selecionado. Seu Santana conta que já fizeram negócios com empresários de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas atualmente a maior saída, fora de Brasília, é Goiânia. O preço do quilo pode variar entre R$ 0,05 e R$ 0,90, dependendo do material. Os voluntários recolhem uma média de 2 toneladas por semana. Stênio Costa acredita que poderia triplicar a renda se eles tivessem os 20 carrinhos de mão.

Orgulhoso da profissão que escolheu, Costa acredita que, se cada um dos moradores de São Sebastião fizesse a coleta seletiva em casa e evitasse jogar lixo na rua, a cidade teria outra cara. “Estou dando a minha parcela de contribuição, sei que é um trabalho de formiguinha, mas é assim que se começa.” Ele afirma que o trabalho com lixo é muito gratificante. “Nós amamos o que fazemos. Trabalhava como pintor, mas abandonei o que fazia porque passei a amar a reciclagem. Quando vejo que uma pessoa está mais consciente sobre o destino do lixo, fico ainda mais feliz.”
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