Morro Azul, em São Sebastião, é o retrato do descaso e do abandono

Na pequena comunidade localizada na entrada da cidade, os moradores reclamam da sujeira, do mato alto e do descaso, principalmente com os espaços destinados ao lazer da criançada.

Sem um lugar adequado para jogar bola,
as crianças brincam em um espaço improvisado no Morro Azul

O descaso no Morro Azul, uma localidade na entrada de São Sebastião, está diante dos olhos de todos que passam por lá. O campo de futebol, feito por administrações anteriores, fica vazio porque está abandonado e não tem nem sequer traves do gol. O mato cresceu em volta e moradores contam que os órgãos do GDF não podam as plantas desde 2009. A poucos metros, uma área pública virou depósito de entulho. No mesmo lugar, o esgoto transbordou e deixou marcas de sujeira no chão. O campinho improvisado, onde as crianças brincam, recebe o cuidado dos pequenos moradores, com 11 e 12 anos. São eles que semanalmente passam o rastelo e a enxada para manter o local limpo.

De acordo com a administração da cidade, todos os problemas foram avaliados na semana passada. Alguns projetos estão em fase de elaboração, embora não tenham data prevista para início ou término. Enquanto isso, quem vive na região se habitua a ver as roupas dos vizinhos penduradas nos arames farpados, no meio da rua. A ideia foi dos moradores das casas de esquina. Não há fiscalização na área para lher mostrar que a atitude é irregular.

O professor Getúlio Francisco, 25 anos, vive na Quadra 11, em frente ao terreno do entulho, das roupas penduradas e do campinho improvisado. Ele reclama da falta de cuidado do governo e assegura que, se há alguma coisa sendo feita no Morro Azul, o mérito é da comunidade. “Ninguém toma conhecimento de nada. A nascente que tem aqui perto é preservada por uma moradora. É ela quem compra as flores e pediu as placas da administração para não jogarem lixo na água”, conta.

Ele também se preocupa com a segurança dos meninos que brincam todos os dias na terra. “O campinho de futebol está cheio de caco de vidro, os garotos vivem se machucando ao cair nessa terra.” As próprias crianças dizem que nunca receberam ajuda. Até quando as árvores foram podadas, há dois anos, foram eles próprios que recolheram os galhos que ficaram no chão.

Destruição
A empregada doméstica Maria Moreira Lopes mora na mesma casa há 20 anos. No fim de semana, ela descansa do lado de fora do portão, sentada em uma cadeira de frente para o antigo parquinho. Dentro do cercadinho, onde, segundo ela, havia brinquedos funcionando há cinco meses, hoje, só há destroços. “Eu estava aqui quando veio um trator da administração para derrubar tudo. Disseram que ali seriam colocados aparelhos de ginástica, mas ninguém nunca mais voltou.”
Moradores se queixam que o parquinho se tornou uma área de perigo

Maria conta que os moradores reergueram o que sobrou. “Nós demos um jeito de não ficar tão perigoso, porque as crianças continuavam lá, mexendo nos ferros”, lembra. A administradora Janine Rodrigues Barbosa conta que está a par da situação. “Nosso projeto para esta área é feito em parceria com o Jardim Botânico. Eles irão nos ajudar a implantar uma praça, um espaço de convivência onde está o entulho. As mangueiras que estão em volta são lindas e precisam ser mais bem aproveitadas, para criar um espaço para a comunidade.”

Ela assegurou que a roçagem seria feita esta semana. Os destroços que sobraram no parquinho também deveriam ser retirados com urgência, mas até hoje os moradores não viram nenhuma mudança. O projeto de melhorias inclui uma praça, a ser construída onde há a nascente. “A gente percebe que falta consciência dos moradores, da comunidade. Eles têm de entender que o espaço é público e precisa ser preservado”, completa.

Iniciativa
Há registros de diversas tentativas de preservar a nascente do Morro Azul. Em 2007, o servidor público José Carlos Maciel adotou a causa. Na época, ele plantou 50 mudas de vegetação nativa e fez um mutirão para limpar a área. Dois anos depois, voltou ao local e encontrou mato alto, sacolas plásticas e garrafas de vidro.

Via Correio Braziliense
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