Projeção mostra quais regiões do DF irão crescer nos próximos anos. São Sebastião aumentará em 52,1%!


Casas Populares

Nos próximos nove anos, o fluxo de moradores vai mudar radicalmente a rotina de algumas cidades do Distrito Federal. Se a projeção populacional traçada pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) se confirmar, em 2020, o número de habitantes de São Sebastião aumentará em 52,1%. O movimento inverso ocorrerá no Lago Sul, onde a perspectiva é de redução em 9,46%. O envelhecimento da população, o poder aquisitivo, o encolhimento das famílias e a possibilidade de expansão do núcleo urbano em algumas regiões estão entre as razões da mudança. 


O movimento é considerado natural por especialistas mas, em ambos os casos — redução ou aumento— , requer atenção do governo na elaboração de políticas públicas que garantam o bem-estar social. O problema é que, com exceção do Plano Piloto, Sudoeste, Lago Sul e Lago Norte, boa parte das cidades do DF ainda convive com a falta de infraestrutura básica, opções de esporte e lazer e atendimento à saúde. De uma forma geral, o trânsito é caótico, o transporte público precário e a expansão do tráfico e consumo de drogas, um desafio grave para as autoridades de segurança pública. 

Há um ano, a cidade com previsão de maior aumento populacional do DF passou a ser o endereço do auxiliar de serviços gerais Antônio Amaral da Silva, 37. Ele mudou-se com a mulher, Cláudia Moura, 34, e os três filhos para o Morro da Cruz, um setor de chácaras de São Sebastião parcelado sem autorização e sob a inércia do governo. Ao ser abordado pela reportagem, a primeira coisa que ele perguntou é: “E esse pessoal vai morar onde, minha filha?”. 

Passada a incredulidade de saber que o número de moradores deve saltar dos atuais 128.471 para 195.407, em 2020 (veja arte), Antônio e Cláudia não precisaram pensar muito para responder o que os futuros habitantes vão encontrar na cidade, caso a realidade atual persista pelos próximos nove anos. “Olha, vou ser sincero. De bom, não tem quase nada”, resume o homem de pele queimada pelo sol e mãos calejadas do trabalho. 

Nos 20 minutos seguintes, o casal desfia a realidade dura a que boa parte dos moradores estão submetidos. “O transporte público é precário. A violência é grande e tem muita droga”, enumera Antônio. A área da saúde também precisa melhorar, na opinião deles. 

Irregularidade
A ilegalidade é outro problema que assombra São Sebastião. Apesar de existir há mais de 30 anos e de ter sido oficializada em 1993, nenhum morador tem escritura do imóvel. Administradora da cidade, Janine Rodrigues Barbosa reconhece que os desafios são enormes e o principal deles é o fortalecimento dos serviços públicos, como a construção de um hospital e de creches públicas, e o aumento do efetivo da Polícia Militar. 

A legalização da cidade é outra necessidade urgente. “Por ser área irregular, não podemos nem sequer expedir ou renovar alvarás de funcionamento. É um transtorno enorme e a cidade não pode parar. Mas é um problema que pretendemos resolver o mais rapidamente possível”, diz Janine Barbosa. 

Parte dos 66,9 mil futuros moradores deve residir no bairro Nacional, previsto para ser erguido entre o Morro Azul e a Vila do Boa. Segundo Janine Barbosa, o governo estuda a possibilidade de verticalizar as ocupações no local com moradias populares. Mas a criação do parcelamento ainda depende de estudos ambientais.

Frota crescente
O trânsito no Distrito Federal sente os efeitos do crescimento acelerado da frota de veículos. Atualmente, 1,2 milhão de carros circulam pela capital. O número é 113% maior do que em 2000

Verticalização das moradias é tendência
A dinâmica dos movimentos populacionais já dá pistas de que parte do que está projetado para 2020 pode não se confirmar. A expansão imobiliária e a verticalização em cidades como Gama, Ceilândia e Samambaia podem levar a um crescimento populacional maior do que estava previsto. Técnicos da Codeplan se preparam para atualizar a projeção populacional do DF. Mas os cálculos só serão iniciados após o Executivo aprovar um projeto de lei delimitando as poligonais de 11 das 30 regiões administrativas.

A medida é essencial para se evitarem distorções contidas no estudo atual. O levantamento é de 2005 com base no senso de 2000 e leva em consideração 19 regiões administrativas. Diretor de Gestão de Informações da Codeplan, Júlio Miragaya explica que, no modelo atual, os dados de Águas Claras estão incluídos nas estatísticas de Taguatinga, por exemplo. E São Sebastião abriga informações do Jardim Botânico. “A definição das poligonais tem uma importância enorme para o planejamento do DF”, destacou. 

Além disso, Miragaya lembra, nos últimos dois anos houve uma mudança no fluxo migratório: “O programa Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo fixaram as pessoas nas suas regiões de origem. Com isso, houve uma redução da chegada dessa mão de obra barata atraída por melhores condições de vida”.

O planejamento da cidade a médio e longo prazos está entre as preocupações do governador Agnelo Queiroz. É o que garante o secretário de Governo, deputado Paulo Tadeu. A aprovação do Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade e a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot) são ações que, segundo ele, garantirão um futuro melhor para os cidadãos. Um dos grandes desafios é promover o desenvolvimento das cidades do ponto vista econômico. 

Demandas reprimidas
Paralelamente a isso, o governo ainda precisa atender as demandas reprimidas nas áreas de saúde, educação e transportes, por exemplo. “Historicamente, as cidades surgiram e cresceram de forma desordenada, algumas delas pautadas somente por critérios eleitoreiros e desrespeitando o meio ambiente. A ausência de planejamento tem sido um dos fatores pelos quais temos a fragilidade no transporte, na segurança pública e no emprego”, cita Paulo Tadeu. 
Para garantir a qualidade de vida e reduzir a dependência das regiões administrativas em relação ao Plano Piloto, o governo trabalha para atrair indústrias, principalmente as não poluentes. Um dos projetos é transformar Planaltina em uma cidade aereoportuária. “A ideia é construir um aeroporto de cargas. Estamos no centro do Brasil e, portanto, em um ponto estratégico para chegadas e saídas de cargas para várias regiões. Também estamos consolidando a Cidade Digital”, explica Paulo Tadeu.
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