Horta Comunitária da Qd 12 - Morro Azul


A horta comunitária do Morro Azul, bairro de São Sebastião, é uma forma de como podemos realizar um protesto e trazer melhorias para a comunidade. A revolta e os protestos surgiram quando uma moradora faleceu em agosto de 2004, vítima de hantavirose.



O local onde hoje é a horta, era um lixão a céu aberto, depósito de tudo tipo de materiais de restos de construção, de lixo doméstico e até de animais em decomposição. Os moradores decidiram por conta própria mudar esta cena, transformando o local em algo que seria melhor para eles. Então o lixo saiu e entrou a auto estima, o orgulho dos moradores e assim surgindo mais uma conquista: a horta comunitária.

Hosana Alves, uma das moradoras e ativista do projeto local destaca a importância da participação popular. “Essa era uma área de muito mato e muita sujeira e o fato de nossa vizinha ter sido contaminada nos levou a reunir as pessoas e fazer uma horta comunitária aqui, onde era um local de jogar entulho.”

A colheita é farta e hoje a horta em alface, cebolinha, coentro mandioca e até algumas furtas. Tudo isso vai parar na mesa de quem cuida da plantação. Manter o local limpo trouxe até mais tranquilidade para a o bairro.

A conscientização dos moradores se fazia urgente e, hoje, a sua manutenção é fundamental. A quadra 12 de São Sebastião faz parte de uma reserva ambiental que, entretanto, não está incluída na poligonal da cidade. Seus residentes precisam da segurança da consciência de que não podem deteriorar as nascentes da região. Dessa forma esperam obter a regularização do núcleo habitacional com a sua inclusão no Plano Diretor de Organização Territorial. Onde havia dois imensos lixões, hoje existe uma praça e uma horta, símbolos criados para lembrar as necessidades ecológicas. Ambas foram construídas por iniciativa dos próprios moradores.

Vejam as fotos do local:


Lá estava ele, animadíssimo, de porte altivo, plantando e colhendo. Aos 78 anos, o maranhense José Luiz Mesquita é pura energia. Morador do Morro Azul, tornou-se um dos administradores da horta. Cuida da plantação como se fosse a sua casa. Homem criado na roça, aprendeu cedo os segredos da terra. Quando achava que não podia fazer mais nada, recebeu o convite do presidente da Associação dos Moradores do Morro Azul para plantar. José aceitou. Meses depois, gargalha como criança: “Eu nasci de novo”, diz. E ele, o incansável presidente da associação, Osmane José da Silva, um cozinheiro de 35 anos que arrebanhou a comunidade para o resgate da cidadania, também comemora: “Daqui a cinco anos, este lugarvai virar um oásis de frutas e legumes”.




E planeja, junto do povo que acredita no mesmo ideal: “Vamos plantar pé de caju, laranja, abacate, goiaba, manga. Aqui vai voltar a ter vida.” Colega de José na administração da horta, Gonçalo de Souza Uchôa, piauiense de 67 anos, nunca mais, nos últimos seis meses, foi parar no posto de saúde por causa das crises de hipertensão. “Desde que eu vim trabalhar aqui, não senti mais nada. Tô melhorando a cada dia”, vibra. Colega dele no arado, a dona-de-casa Maria Edilene de Andrade, 34, nas horas vagas, corre para a horta.









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