Terreno polêmico à venda


Do próximo leilão da Terracap, marcado para 5a feira, sairá o dono de um dos lotes comerciais mais cobiçados do Distrito Federal. A licitação oferece um terreno na QL24, com área de 65 mil metros quadrados e destinação de uso para o funcionamento de um shopping center.

O empreendimento será capaz de mudar um dos cartões postais da cidade: o terreno fica ao lado da Ponte JK. O centro comercial estará localizado dentro da região administrativa mais rica do Distrito Federal. O Lago Sul tem 29,5 mil moradores e renda per capita de R$ 5.420, 62.

 
A Terracap sabe exatamente o potencial do negócio, tanto que o lance mínimo para que o lote seja arrebatado é de R$ 106,5 milhões. E, para participar da disputa, os concorrentes têm de depositar uma caução de R$ 5,3 milhões na conta da empresa pública. ...

Desgaste
Para fechar o negócio, entretanto, a Terracap e, por conseguinte, o GDF terá que enfrentar um desgaste. Os moradores do Lago Sul não querem a venda do terreno e, ontem, em uma manifestação-relâmpago, conseguiram juntar 200 pessoas no local. “Será um desastre ambiental. O terreno deveria servir para a implantação de um parque”, afirma Natanry Osório, ex-administradora do Lago Sul e atual presidente da Associação dos Moradores Lindeiros do Canjerana. Pioneira, Natanry é conhecida na cidade pelo ativismo político.

O principal argumento dos moradores é que o governo não discutiu o assunto com a comunidade e não fez audiências públicas para que a população fosse ouvida sobre a destinação da área.

Outro argumento deles é que, em 1998, quando o terreno foi registrado em cartório com a destinação de shopping, a Ponte JK não existia. “Esta destinação só foi aceita porque o governo da época havia dito que a venda garantiria os recursos necessários para a construção da Ponte JK. Com a ponte feita, não é mais necessário vender o lote”, afirma Natanry Osório.

Terracap
O diretor-presidente da Terracap confirmou ontem que a venda está mantida. “Não há qualquer violação de dispositivo legal ou ato normativo”, afirmou, via assessoria de imprensa da empresa.

A empresa pública não esclareceu o pedido do Metro sobre qual foi o processo que determinou que a área recebesse uma destinação compatível com a construção de um shopping center.

Natanry Osório afirmou que há árvores nativas na área e que os moradores contaram 830 mudas plantadas no local.

A interlocutores próximos, o governador Agnelo Queiroz teria dito que preferia construir um parque público ali. Se, de fato esta for a opinião dele, a decisão terá de ser tomada antes da abertura das propostas de compra, marcada para a manhã de quinta-feira.

Por Érica Montenegro
Fonte: Jornal Metro Brasília - 23/04/2013
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