Deem um jeito naquela via

A madrinha, Nina, o pai, Baltazar, e a cunhada Edite ainda não conseguem
acreditar na morte de Ronan: trabalhador responsável, deixou duas filhas

A tragédia na pista principal de São Sebastião foi mais um capítulo em uma via que já fez 19 vítimas nos últimos 10 anos. Na manhã de quarta-feira, a sequência de colisões provocadas por um caminhão de transportadoras de bebidas fez mais quatro vítimas. A população sabe do perigo da avenida e tem na ponta da língua as mais diversas soluções para o local. A dona de casa Nina Monteiro, 68 anos, é madrinha de Ronan Silva, 36 anos, um dos atropelados. Ela mora na cidade e cobra uma solução para a pista, que diariamente oferece risco aos condutores e pedestres, segundo ela. “Tinham que dar um jeito naquela via. Proibir o fluxo de caminhão poderia ser um começo”, sugere. 

Os moradores da cidade temem que outras tragédias aconteçam. A monitora de ônibus Tatiane Brito, 26 anos, vai de coletivo para o trabalho diariamente. O ponto em que pega o transporte público fica à beira da Avenida São Sebastião, onde ocorreu o acidente. Todos os dias, ela vê diversos carros em alta velocidade por ali. “Tenho até medo de caminhar perto daquela via”, comenta. Anteontem, se fosse para o serviço no horário normal, teria presenciado e até corrido risco de se machucar com o acidente. “Fui trabalhar mais tarde, graças a Deus. Geralmente, pego ônibus no horário em que ocorreu a colisão”, diz. 

Tatiane critica: "Tenho até medo de caminhar perto daquela via"
O operador de máquina Ernane Souza, 52 anos, trabalha próximo à avenida. No momento do acidente, ficou com medo de ser atingido por um dos 14 postes que o caminhão derrubou. “Saí correndo na hora. A loja em que trabalho quase foi atingida”, conta. Para ele, é necessário que o órgão responsável reduza a velocidade máxima permitida na via. “Precisava cair para 40km/h”, propõe. Outra solução apontada por ele seria a proibição de caminhões. “Eles tinham de usar a entrada que tem no sentido de Unaí, não a que desemboca no centro da cidade”, acredita.


Ontem também foi dia de parentes e amigos chorarem pelas vítimas. Roberta Saldanha, 27, era vizinha de Nelson de Souza Moura, que morreu atropelado por uma van atingida pelo caminhão. A autônoma conta que ele era uma pessoa amigável. “Não tinha ninguém para falar mal dele. Era gente boa, tranquilo”, descreve. Ela tomou café da manhã com Nelson momentos antes da tragédia. “Ele estava alegre”, lembra. Segundo Roberta, o homem tinha saído para comprar pão. “Disse que ia ao mercado. Infelizmente, não vai mais voltar”, lamenta. 


Trabalho de funcionários da CEB: postes foram reinstalados ontem
Revolta
O marceneiro Geraldo Nascimento, 54 anos, conhecia Nelson desde que o homem era criança. Ambos moravam em Alexânia (GO) e, atualmente, estavam em São Sebastião. Nelson era pintor e pedreiro e tinha se mudado para Brasília para trabalhar. “Éramos muito amigos. Ele era extremamente responsável e trabalhador”, lembra. Nelson frequentava um bar próximo à sua residência. O proprietário do estabelecimento, Antônio Gomes, 66 anos, conhecia o pintor há 15 anos. “Ele conversava com todos. Nunca se envolvia em confusão. Lamentável o que aconteceu.”


A família de Ronan Silva de Araújo também estava inconformada. A outra vítima atropelada pela van era o caçula de quatro irmãos e tinha duas filhas, uma de 7 e outra de 18 anos. Trabalhava como pintor e era considerado muito responsável por parentes e amigos. O pai dele, Baltazar Araújo, 77 anos, aposentado, ainda não acredita que perdeu o filho. “Demora a cair a ficha. Eu o amava muito”, diz. Apesar de o acidente ter ocorrido por volta das 10h30, ele soube da morte do filho somente às 17h. “Logo depois da tragédia, a cidade parou e todos ficaram sabendo, inclusive eu. Mas não fazia noção de que o Ronan era um dos envolvidos. Com ele, levaram um pedaço de mim”, lamenta.



A vendedora Edite Lima, 55 anos, cunhada de Ronan, reclama da omissão do Grupo Horizonte, responsável pelo caminhão. Segundo ela, a empresa ligou ontem para a família, a fim de prestar assistência. Após o telefonema, contudo, não entraram mais em contato. “Não deram satisfação nenhuma. Ligaram uma vez, mas, depois disso, não nos procuraram mais”, queixa-se. Em nota, o grupo ressaltou que vai apurar detalhes do caso e que está prestando toda a assistência necessária aos familiares das vítimas. A 32ª Delegacia de Polícia ainda investiga o caso, e considera a hipótese de sobrecarga da carreta. 

As vítimas

Nivaldo Crethon dos Santos
Data de Nascimento: 1º/3/1959
Estava no caminhão na hora do acidente
Foi sepultado ontem



José Acioli Sobrinho
Data de Nascimento: 17/9/1956

Também estava na carreta responsável pelas colisões




















Ronan Silva de Araújo
Data de Nascimento: 9/2/1978
Profissão: pintor
Natural de Brasília
Tinha 2 filhas
Foi atropelado pela van atingida pelo caminhão 

Nelson de Souza Moura
40 anos 
pedreiro e pintor
Morava sozinho em São Sebastião
Família mora em Alexânia


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