Para atender distritais, Buriti examina redivisão política do Distrito Federal


Para saciar a sede de cargos dos deputados distritais, o governo Rollemberg cogita desfazer a fusão de administrações regionais, feita em 2015. A ideia é devolver a independência dos espaços para contemplar número maior de parlamentares. O Buriti busca consolidar uma base confiável para conseguir a aprovação de projetos no plenário e, até mesmo, blindar-se de pressões mais fortes.

O Executivo cogita separar o Varjáo do Lago Norte. Nesse sentido, existem grandes chances do Varjão ser endereçado ao deputado Lira (PHS), embora originário de São Sebastião. Paranoá e Itapoã também seriam desmembrados. O primeiro seria endereçado à deputada Liliane Roriz (PTB), enquanto o segundo pode ir para o grupo político do deputado Agaciel Maia (PR).   

Nos esboços do novo mapa das administrações, Ceilândia deixaria de ser dividida entre o PSD do vice Renato Santana e o grupo político da deputada distrital Luzia de Paula, que migrou para o PSB. Inicialmente, o espaço ficará apenas sob os cuidados da neosocialista. O partido do governador ficaria também com o comando do Plano Piloto, Estrutural, Núcleo Bandeirante, Lago Sul e Brazlândia - reduto do deputado Juarezão, também recém filiado ao PSB.

O PSD perderia ainda o controle do SIA. A região pode passar à presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS). O grupo de Celina também estaria negociando o controle da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab), mas teria que entregar a gestão do Detran.

Nestes tempos, em que o Congresso Nacional analisa o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o movimento também é uma estratégia defensiva. O núcleo governista prevê que prefeituras, estados e o DF possam viver uma avalanche de processos de impedimento, caso Dilma seja afastada.

As administrações do Cruzeiro e do Guará tendem a ficar sob a influência do  deputado Rodrigo Delmasso (PTN). 

Pedindo o sigilo da fonte, um aliado de primeira hora do GDF declarou: “Prefeitos e governadores por todo país estão preocupados com isso. Quem não tiver uma boa base pode sofrer um impeachment, por razões muito menores do que as atribuídas no caso da presidente”.

Considerando a crescente rejeição da gestão socialista entre os servidores públicos, a situação de Rollemberg é delicada. No ano passado, no auge das greves, sindicalistas de oposição cogitavam, veladamente, até de entrar com um pedido de afastamento na Câmara.

Para reaglutinar 
1 A secretaria de Justiça  e Cidadania,  negociada com a deputada distrital Sandra Faraj (SD), poderá perder o controle de parte das agências do Na Hora e o Procon. Estes espaços poderão ser passados para o neodesafeto Raimundo Ribeiro (PPS), que foi padrinho da Sejus e que o Buriti alienou.    
2 Desta forma, Faraj manteria o controle da administração de Taguatinga. E Ribeiro continuaria mandando em Sobradinho. 
3 Governistas calculam que uma base ideal teria entre 8 e 16 deputados distritais.
4 O líder de governo, Julio Cesar (PRB), continuará com Samambaia. São Sebastião seguirá com Lira (PHS)  e o Paranoá com Liliane Roriz (PTB).

Mudanças federais afetarão capital
O cientista político David Fleischer,  professor de Ciências Políticas da Universidade Brasília (UnB), não considera que Rollemberg corra risco de impeachment. No entanto, acredita que uma base sólida é fundamental em um eventual cenário pós-impeachment. “Se o vice-presidente Michel Temer (presidente nacional do PMDB) assumir, vai gerar uma recomposição de forças nos partidos por todo país, gerando influência e respingos na base de Rollemberg”, disse.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
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