Brasiliense perde o interesse por condomínios de luxo

Mesmo com os “descontos”, as vendas não atraem compradores como antes
A crise do mercado imobiliário não perdoou os condomínios horizontais de luxo construídos na região sul do Distrito Federal: casos de desistência da compra e pedidos de distrato têm aumentado.
A crise do mercado imobiliário não perdoou os condomínios horizontais de luxo construídos na região sul do Distrito Federal. Apresentados aos brasilienses como alternativa de moradia no futuro, os terrenos em empreendimentos como Alphaville e Damha perderam atratividade.

Endividados, muitos investidores desse modelo de negócio estão tentando se desfazer do bem adquirido com a promessa de supervalorização. Os casos de desistência da compra e os pedidos de distrato têm aumentado.

Na tabela, o valor do metro quadrado de um lote no Alphaville, a 28 km da Ponte JK, está em torno de R$ 770. Na negociação, porém, interessados andam conseguindo abaixar o preço até a R$ 550. No caso do Damha, mais distante ainda do centro de Brasília, a tabela traz valores próximos a R$ 600, mas, na prática, há negócio sendo fechado a R$ 400. Em ambos os residenciais, os terrenos têm, em média, 700 metros quadrados.

Mesmo com os “descontos”, as vendas não estão boas. O desempenho do empreendimento de duas torres do Grupo Via no Alphaville, com apartamentos de dois, três e quartos, ilustra bem o cenário atual na região: as obras estão quase prontas, ao passo que a comercialização das mais de 100 unidades ainda não chegou a 30%.

Lançamento

A primeira etapa do Alphaville em Brasília, cuja estrutura fica às margens da rodovia (não duplicada) DF-140, na divisa com Goiás, foi lançada em julho de 2010, no auge do mercado imobiliário na Capital Federal. Em um dia, praticamente todos os terrenos foram vendidos. À época, o diretor comercial da empresa anunciou que 90% dos compradores declararam ter interesse em morar no condomínio. Representantes do mercado, no entanto, acreditam que metade desses tinha, na verdade, a intenção de investir.
Dois anos depois, foi a vez da marca Damha lançar a primeira etapa do residencial, na mesma direção do Alphaville, mas já em território goiano. Em uma semana, quase 80% dos lotes ganharam dono. A despeito do sucesso inicial, a segunda etapa de ambos os empreendimentos acabou empacada pelo arrefecimento do mercado como um todo.

Futuro

A expectativa é que até 2025 a região desses condomínios de luxo abrigue uma população de cerca de 600 mil pessoas, 150 mil delas apenas no Alphaville. Até lá, espera-se a consolidação de espaços autossuficientes, que, longe da cidade, ofereçam um estilo de vida considerado mais tranquilo, com opções de moradia fixa ou “segunda residência”.
As marcas apostaram alto nesse futuro que, por ora, ainda parece muito distante. Somente o Alphaville, referência do modelo, investiu em torno de R$ 124 milhões antes de colocar no mercado o maior empreendimento do grupo. A estrutura de lazer está concluída, mas quase não é utilizada – o número de casas construídas ou em construção não chega a 10. No Damha, são avistadas da rodovia apenas cinco obras.

Desafio

Convencer as classes média e alta brasiliense de morar distante do centro é um desafio. Ao contrário do que ocorreu em outros centros urbanos, os condomínios horizontais não se integraram facilmente ao conceito peculiar de Brasília, salvo o observado na década de 1990, quando avançou a comercialização de áreas irregulares no Jardim Botânico e na região do Grande Colorado.
As marcas Alphaville e Damha, claro, têm consciência do longo período de maturação dos empreendimentos, mas não esperavam encontrar pelo caminho uma fase tão ruim para o mercado imobiliário. “Não consigo ver as vendas melhorando nesses condomínios antes de o mercado do DF em si começar a retomar o crescimento”, comenta o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF), João Accioly.

Satisfação

Ao Fato Online, o gerente comercial do Alphaville, Eleno dos Santos, disse que a empresa está satisfeita com o desempenho das duas etapas lançadas em Brasília. A ocupação, de acordo com ele, está ocorrendo dentro do esperado. “A população sempre se mostrou receptiva ao Alphaville e obtivemos bons resultados comerciais”, sustentou.
Em nota, o Damha também defendeu que os residenciais de Brasília, apesar de toda a complexidade do mercado imobiliário nacional, tiveram boa receptividade. A empresa considera a região “extremamente nova, mas com potencial inigualável”. Em cinco anos, acredita-se, o espaço terá em torno de 1,5 mil moradores.
Placas ainda tentam atrair novos compradores
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