Com cassetete, PM quebra dedo de mulher que filmava derrubada no DF; veja vídeo



Um policial militar usou golpes de cassetete para atingir uma moradora de São Sebastião, no Distrito Federal, e impedir que ela filmasse uma operação de derrubada de casas irregulares na manhã desta terça-feira (8). Em entrevista ao G1, a mulher afirmou que teve o dedo quebrado e deve ficar uma semana sem trabalhar.
Imagens enviadas à TV Globo mostram quando a doméstica Luciana Firmino, de 42 anos, é atingida pelo primeiro golpe (veja vídeo acima) – segundo ela, foram três pancadas. Além do dedo, ela também ficou ferida no ombro e nas costas. A Polícia Militar diz que o caso será apurado pela corregedoria."Eu estava filmando no exato momento em que uma senhora estava passando mal dentro da casa, durante a derrubada. O filho entrou pra ajudar e começou a levar spray de pimenta. Daí, eu peguei o celular pra registrar e levei a porrada", diz a mulher atingida no vídeo.
Após as agressões, Luciana foi atendida por bombeiros que acompanhavam a operação no local e levada ao Hospital Regional do Paranoá. Exames apontaram uma fratura no dedo anular, e a mulher deve ficar com a mão imobilizada pelos próximos sete dias.
No total, a área que está sendo desocupada tem 66 mil metros quadrados e corresponde às chácaras 40 e 41 do Núcleo Rural Zumbi dos Palmares, que pertence à Terracap. Imagens de satélite apresentadas pela agência mostram o crescimento da área ocupada entre 2014 e 2016 (veja abaixo). A ordem de reintegração de posse foi expedida pela Justiça do DF.
A casa de Luciana seria a próxima na "fila" das derrubadas, mas a operação foi suspensa e deve ser retomada nesta quarta (9). Até as 19h30, a doméstica permanecia no Hospital Regional do Paranoá e não sabia onde passaria a noite.
"Passei a tarde no hospital, meu esposo estava lá retirando os móveis. Minha própria patroa ficou muito chocada, acabou cedendo dinheiro para a gente procurar um aluguel, mas agora, agora, não temos para onde ir", afirmou.
Segundo a Agência de Fiscalização do DF (Agefis), as moradias na região conhecida como Núcleo Rural Zumbi dos Palmares, em São Sebastião, são irregulares. Luciana chegou com o marido e o filho de 8 anos em 2015, após comprar o terreno por R$ 15 mil.
"A pessoa que vendeu disse que tinha comprado de outra, que estava revendendo e que era legalizada, deu documento cessando o direito e a gente acreditou. Nunca mandaram nenhuma notificação, fomos surpreendidos", afirma Luciana.
Em posicionamentos anteriores, a Agefis afirmou que ocupações irregulares recentes, feitas após julho de 2014, podem sem retiradas sem aviso prévio. O G1 entrou em contato com o Paláio do Buriti na noite desta terça, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
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OperaçãoDe acordo com a Agefis, as terras do núcleo rural "deveriam ter, no máximo, quatro edificações", mas foram loteadas em uma série de casas de alvenaria de pequeno porte. Alguns contêineres também são usadas como moradia.
As demolições nesta terça começaram às 10h e envolveram cerca de 250 servidores da Agefis, da Polícia Militar, da Companhia Energética de Brasília (CEB), da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), do Corpo de Bombeiros e da Terracap.


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