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São Sebastião pressiona Rollemberg contra fechamento de laboratório

by - quarta-feira, janeiro 17, 2018


A comunidade e os profissionais de saúde de São Sebastião estão preocupados com a possível transferência do laboratório de exames da cidade para o Hospital Regional do Paranoá (HRPa). O espaço é responsável pela coleta e análise de pacientes da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Centro de Saúde e da Casa de Parto da região. Após pressão da comunidade, a Secretaria de Saúde suspendeu a mudança até o fim do mês, quando ela será reavaliada.

Segundo uma técnica, que não quis se identificar, a notícia de que o laboratório de análises clínicas fecharia e funcionaria no HRPa veio no último dia 12. “Estavam sabendo disso desde o ano passado, mas não informaram para a gente. Aí a chefia disse que não era decisão dela e que estava certo que o laboratório iria em fevereiro. Questionamos, mas disseram que a decisão tinha vindo de cima para baixo”, conta. Com a mudança, a coleta continuaria em São Sebastião, mas a análise seria no HRPa.

Sugestões
Na segunda-feira passada, uma equipe de técnicos de laboratório foi à direção da unidade de saúde do Paranoá para propor soluções. “Sugerimos medidas que beneficiariam as duas cidades, sem que nenhuma fechasse. Mas nada foi aceito. Disseram que não tinha jeito e o que o foco é fortalecer o Paranoá, pois lá é a referência”, critica. Sem resultado, a equipe partiu para a Secretaria de Saúde, para pressionar a pasta, e convocou reunião com a população e o Conselho Regional de Saúde ontem à tarde.


Como resultado, os servidores receberam um boletim que informava que a mudança estava suspensa. “Para mim, quando algo é suspenso é porque é temporário. Não garante que não terá a transferência. A qualquer hora pode ir para lá”, alega a técnica. “Se isso acontecer, o servidor não será tão afetado. O problema é a população que terá um tempo-resposta maior. Mesmo perto, os exames, que são coletados nas unidades de saúde e analisados no postinho, demoram para sair”, completa. A distância do Centro de Saúde 1 de São Sebastião, onde é localizado o laboratório, até o Hospital Regional do Paranoá é de cerca de 20 quilômetros.


Otimismo
Já o presidente do Conselho de Saúde de São Sebastião, Luisvaldo Ferreira, está otimista. Para ele, a possibilidade de fechar o laboratório está descartada. “Não vai ocorrerá o fechamento e há chances de trazer mais profissionais para São Sebastião. Não temos como garantir se a Secretaria de Saúde vai retornar com a possibilidade de transferir o laboratório, então a gente trabalha confiando na gestão. Mas eles não voltam atrás porque sabem que essa é uma luta de toda a população”, aponta.

Condições atuais também são precárias
De acordo com uma servidora do laboratório, as condições atuais do espaço são precárias. A unidade é responsável pelas análises clínicas da UPA, do próprio Centro de Saúde e da Casa de Parto. “O ideal seria é que o laboratório estivesse dentro da UPA. Lá já tem um centro de coleta, mas a análise é feita aqui no postinho. Se estivesse funcionando lá, a demora para o resultado seria de uma hora”, argumenta a técnica do laboratório.


O motorista Valdir Cordeiro, de 43 anos, reclama do sucateamento do sistema de saúde em São Sebastião. “A gente tem perdido muito nos últimos anos. Eles pegam alguns serviços daqui e levam para o Paranoá, porque lá dizem ser a referência da região leste da saúde. Tiraram pediatria, alguns anos atrás tiraram ginecologistas da Casa de Parto, e tudo que vai não volta”, critica.


Para o morador, se a transferência do laboratório for efetivada para o Hospital Regional do Paranoá, a população de São Sebastião perderá mais uma vez. “Se quem faz um exame na UPA já demora para receber o resultado, imagina se transferirem para o Paranoá?! Não tem transporte para fazer esse vaivém de exame”, aponta. “O que está incomodando é que em momento nenhum a comunidade foi consultada. Foi uma ordem de cima para baixo”, completa.


Versão Oficial
De acordo com o superintendente em exercício da Região de Saúde Leste, Leonardo Ramos, a proposta do fechamento do laboratório de São Sebastião está em curso há um mês. “Existe um déficit de servidores nos dois laboratórios. Tentamos segurar, mas vimos que a partir do mês que vem a escala iria apertar. Fizemos a proposta de unificar a análise dos dois laboratórios no Hospital do Paranoá”, explica.

“Então, na segunda-feira, fizemos uma reunião com o secretário-adjunto Daniel Seabra e ele informou que tentaria estabelecer as duas equipes até o fim do mês. Queremos lotar os profissionais nessas duas semanas nos dois laboratórios. Se tudo der certo, não vamos precisar fechar. Mas, se não conseguirmos servidores, vamos precisar juntar as duas análises num mesmo local”, completa.

Para o superintendente, com a unificação das equipes de análise, a população terá ganhos. “O laboratório do Paranoá é maior do que o de São Sebastião. Vamos organizar para que o transporte leve o material para a análise de duas em duas horas. O bom é que o exame só vai precisar chegar, porque o resultado pode ser conferido pelo sistema”, alega. “A gente sabe que tem desgaste, que o servidor não vai querer ir, a população vai dizer que não gosta, que vai prejudicar. Mas estamos estudando saídas para fortalecer a análise dos exames”, conclui.




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